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sexta-feira, 11 de julho de 2014

CORDEL PROPÕE REFLEXÃO SOBRE AS TRADIÇÕES IDENTITÁRIAS

Uma das empresas patrocinadoras do São João bonfinense espalhou vasta propaganda na arena junina, no Parque da Cidade, alegando que “São João e tradição fazem um casamento bão” e não foi apresentado o tal ‘casamento’. A Capital Baiana do Forró e do Futebol, em ritmo de copa e copos está mais para festa de largo soteropolitana.
Consultando o dicionário Houaiss aprendemos que tradição é uma herança cultural, um conjunto de valores morais, culturais e espirituais, entre outros, passados através das gerações.

Há uma contradição em relação ao prometido com o realizado e os contraditórios são também contrariados e às vezes são do contra. A união dos opostos em benefício de um bem imaterial comum, a nossa cultura, será benéfica para a população que precisa conhecer a própria história e a diferença entre cultura popular e cultura de massa. Usar o “gosto” dos jovens como desculpa é insipiente, pois temos obrigação de educar os jovens. Clique na imagem acima para ler o folheto de cordel.

Foto: Walkíria Andrade F.
 A 1ª FEIRA DO LIVRO DO PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU

Anunciada no panfleto oficial que divulga a programação da festa junina de Senhor do Bonfim, a 1ª Feira do Livro do Piemonte Norte do Itapicuru foi, sem nunca ter sido, uma verdadeira Feira. Uma série de desencontros e promessas de apoio não cumpridas impediram a plena realização do evento que funcionou improvisadamente apenas no segundo e terceiro dias, dos cinco programados. Estiveram presentes diversos escritores com sua produção literária: Dora Ramos, Paulo Tolentino, Renato Bandeira, Gustavo Teixeira, Edvan Cajuhi(com o acervo da ACLASB), Jotacê Freitas, os músicos Daniel Gomes e Zecrinha com CDs e a artista plástica Maria Cristina com uma exposição de quadros. Estavam à venda também livros de autores regionais, nacionais e internacionais.
O imprevisto me inspirou a compor mais três sextilhas para o cordel “A guerra de Zé do Contra...” :

O Casamento Matuto
Pra ele não tem valor
O Teatro é loucura
Que junta o riso e a dor
Zé do Contra é contra tudo
É contra até o amor.

Zé do Contra odeia livros
E os que gostam de estudar
Quanto mais analfabetos
Funcionais para usar
Zé do Contra se elege
Ao que se candidatar.

Zé do Contra é contra a feira
E a deixa entregue às traças
A de livros a de rua
A de arte de cabaça
E outras artes também
Não importa quem as faça.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

LANÇAMENTOS EM SENHOR DO BONFIM

Metalinguagens e cordéis

Na programação pré-natalina deste dezembro, a prefeitura carregou a mão na Semana Municipal de Cultura, que contemplou o lançamento de Jotacê Freitas. O condimento de artista irreverente, com tema poético-metafísico em período pré-natalino, resulta em choques e pendências filosóficas intermináveis. No palco ou no meio da praça.

“A poesia tem espaço reduzido na sociedade”– disse Jotacê Freitas, no sábado 10/12, pouco depois do duplo lançamento de Baianices, baianadas e baianidades, que veio numa edição diferente, reunindo 21 folhetos de cordel, separados em três partes: sete falando de costumes soteropolitanos, sete falando da sexualidade geral dos baianos e sete sobre coisas da cultura bonfinense. A curtição de palco foi no Teatro Reginaldo Carvalho, que ficou assim de poetas e artistas de Senhor do Bonfim e região. E o lançamento se completou com O rei cego e os filhos maus, que por ser um folheto com mais de 30 páginas é romance. Esse tem 40 páginas, feito em sextilhas e quatro sextilhas por página. Prá cordel é história longa, mas Jotacê já fez três.

Pois é, foi só acabar autógrafos e recitais lá dentro, Jotacê já tava cá fora, no Quiosque do Idelson na praça do Campo do Gado. Ele e uma galera viciada em poesia e reclamações contra bico seco. Especialmente ele parecia ser o mesmo Jotacê, mas não era. Estava rodeado de uma pequena galera de curtidores. [‘Cês tão vendo a capa’ - perguntou Ailton Ribeiro] “Cumpro meu dever de, como filho da terra, mostrar aos conterrâneos o progresso que faço na carreira literária nesta última fase” – disse Jotacê. [‘Vocês viram os aplausos naquela hora?’– indagou Gueu]. Os curtidores se remetem ao romance o Rei cego... E... Jotacê não resiste. [‘Naquela cadeira estava a Riana’ – lembrou alguém].

Se ligue, são explicações

Jotacê: Com esse cordel eu ganhei, em 2010, o edital do Minc (Ministério da Cultura) chamado Mais Cultura, Prêmio Patativa do Assaré. No Brasil foram 80 os contemplados, eu fui o 43º lugar. [‘Que quiosque é esse? Vai fechar?’]. Na Bahia, entre os oito contemplados eu fiquei com o 4º lugar, todos os ganhadores com direito a publicar três mil exemplares. E o prêmio foi de R$ 7 mil em dinheiro. [‘O Minc prendeu a grana por um ano, ta ligado? É por essas e outras que esse poeta aí, fã do Cuíca de Santo Amaro e do Gregório de Matos, o Boca do Inferno, ta ligado, já versejou a Dilma como rapariga do Lula, num cordel passado. Uaaau!’].

Jotacê: No meu projeto de elaborar a história do Rei cego e os filhos maus resolvi contemplar a região, mas com esse atraso do Minc o custo aumentou muito e... Esse projeto é baseado numa história que minha mãe me contava, com o fundo moral de como os filhos deviam respeitar os pais, a família... [‘Ta gelada não...’]. É um conto bem assentado em nossa cultura popular. Quando cheguei à Faculdade descobri que Câmara Cascudo pesquisou e transcreveu esse conto em várias regiões do país. O Ricardo Azevedo, pesquisador de linha mais moderada no folclore, também registrou esse conto em várias regiões do Brasil. É como ocorre com os contos de tradição oral, o contador vai adaptando, colocando elementos locais e as regiões vão assimilando. [‘Aonde é que ta aberto?” – “Bodega, a gente acha’].

Jotacê: Então, ao cumprir o meu projeto produzi minha versão [‘Pode encher meu copo’] para a região de Senhor do Bonfim. Botei a história onde ela tem de estar: na Serra da Maravilha, Barroca, Pebas, Tijuaçu... Antes eu inscrevi O rei cego e os filhos maus no Banco do Nordeste e não foi aprovado. Aí... Sacomé? [‘Dessa aí tomo uma dose já’]. Veio depois o edital do Ministério da Cultura, mas eu estava desiludido. Faltavam só cinco dias pra encerrar a inscrição, quando Geninho Xeleléo me ligou: – Jotacê, você não pode ficar de fora do concurso do Minc! Com um cordel desse não pode e não pode!

Gente, céticos também se guiam por sonhos!

Jotacê: Eu o iria publicar depois, por conta própria. Mas entrou aí uma história legal. Naquela mesma noite eu sonhei com a ex-esposa dele, Gal Sena Gomes. [‘A Glaucineide Rodrigues?’ – ‘Ta doido, foi o prefeito Paulo Machado’– ‘Não, no grupo de palmas fortes era também o Zé Antonio Oliveira...’ – O Zé Gonçalves também tava lá’] Ela ia jogando esmeraldas na rua e eu ia catando. Despertei e despertei. E decidi: vou inscrever meu projeto, mas da forma mais objetiva possível. Para o concurso do Banco do Nordeste eu tinha elaborado e apresentado 18 laudas; para esse do Minc, ano passado, resumi o projeto a uma página. E fui contemplado com o prêmio Patativa do Assaré. [... ‘e o Pedro Sá e a Mara Guimarães? ’ – ‘Perto da Iris de Guimarães?’ – ‘Tu já ta é mamado: perto do Benedito do Aroeira’].

Bom pro cinema, pra moral e pra místicos de carteirinha

Jotacê discorre no espírito da vitória com o cordel O rei cego e os filhos maus e transmigra: “É uma história com elementos mágicos, lances fantásticos, tramas fabulosas e analogia com a história bíblica de José do Egito. O rei fica cego e seus três filhos saem em busca da cura para a cegueira do monarca”. Vibra com razão, consegue transpor a lenda alienígena para o seu barro natal, em cordel! Teve que limpar com metro e rima temas de traições, covardias e mentiras para exemplificar com arte o valor da coragem, honestidade e amor. Mistérios descomunais. Lendas que podem ser reais. O rei volta mesmo a enxergar? Volta a ver a vida e a solidariedade pretendida, como a do respeito ao próximo que a mamãe Izabel ensinava no mesmo conto pro menino Bolacha, ops!, pro agora poeta Jotacê?

A história que é universal sai do poeta pro cordel e finca-se no bioma bonfinense com a inseparável dualidade da mentira/verdade. Põe gigante, cavalo branco encantado e defunto insepulto a fazerem artes dos diabos, para o bem e para o mal. Divide cabeças. [‘Esse bar é de quem? – Não é bar, é birosca!] Se no romance a luta não é só moral, é guerra que levanta poeira na Grota , quando vai pro altar de mesas de bares de praças, ganha o reforço de um Jotacê sublimado. [‘Essa barraca é Joãozinho, Zecrinha me disse no lançamento, hoje – ‘Hoje não, já é domingo!’]. Debaixo da confluência de duas algarobeiras Jotacê narrou o conto entre a fé e o medo, a fé e a dúvida e sorrindo, entre a dúvida e a dúvida, proclamou: “Deus acredita em mim”.

Foi imediatamente traído pelo arrepio no braço e pelo verso posto O Sono, livro em que divide opinião com Hélio Freitas, Regina Salgado, Edmar Conceição, Emiliana Carvalho, Maisa Antunes e Marcos Cesário, (idealizador da coletânea) em mini-ensaios filosóficos: “Quando eu morrer em Bonfim / De estupor ou azia / Irei feliz para o céu / Pra encontrar Virgem Maria”. Ah, Jotacê! Não é de hoje que, enlevado, como agora, um premiado, sai da linguagem-objeto da comunicação direta e exercita na plenitude a metalinguagem da poesia. Ele não denotou adesão à fenomenologia dos espíritos no falar freudiano de sonhos. Mas filosofou com amparos reticentes. Jotacê: Minha mulher é espírita...”. Prepara-te Walquíria para ilustrar, além de todos os livros, a capa de algum cordel kardecista psicografado pelo marido. [‘Quebrou o copo?’ – ‘Quebrou, mas já tava vazio!’].

Em nome do respeito ao próximo, o cordelista se embrenha no Beco Fino, botecos, trilhas de mato e esquinas de cachaça de raiz, cenário de lutas transcendentais e enigmáticas. [‘Sei, Ailton, aqui é a barraca do Joãozinho’]. Será que pela literatura crítico-educativa teria ele saído do patamar de Proudhon, Bakunin, Malatesta pra praia do Tolstoi, Dostoievski? Já se soma aos 72% que aprovam a presidenta Dilma Rousseff? Jotacê: Não. Estarei sempre com os valores do terceiro filho do rei cego. Ah Jotacê! E os dois filhos traidores, Jota? – Jotacê: Se fosse eu tivesse no lugar do primeiro, teria matado os dois sacanas, maléficos, vis, sujos, desrespeitadores, péssimos filhos, maus cidadãos.

“Pódi incostá, é tudo inteléquito” (bebum manda outro pro grupo de Jotacê)

No auge da tertúlia, na segunda mesa (ao lado da Igreja), aproximam-se dois visitantes: Pódi incostá, é tudo inteléquito, diz um. E o outro obedece: Posso jogar uma mão de prosa? Ailton, Záia, Gueu, todos fingem nada ver, nada ouvir. Jotacê que é o alvo da pergunta cede e escuta do chegado: Você tem uma irmã... É ou não é? Jota vacila e desconversa. [‘Menino, bota mais uma’]. Mas o bebum insiste: Acho que lhe conheço... Lá na escola, parece que lhe chamavam de ... de... de... Bolocha...

Depois dessas, tocar em irmã e sem tirar mistério revelar remoto apelido, o bebum manso vira foco e fica quase um simpático linguarudo, pelo menos até desembuchar. Nossa entrevista com Jotacê caiu e Jota mesmo que ressabiado admitiu: “É, tive mesmo esse apelido e agora me lembro de você”. Eu sou Paulinho, candidato a vereador – se revela o inesperado conviva. Bochichos rolaram [‘Quer voto’ – ‘Não, nos vistos bêbados’]. Tivemos que incorporá-lo. Mas ninguém escapou: Você tem irmã? Todos quiseram saber de todos e do bebum e quem mais houvesse. Quem quer ter irmã em mesa de bar onde quem chega molhado é adotado como sóbrio? A temperatura subiu e a sede voltou [‘Mais uma, três... seis... nem sei’].

Jotacê: Alguns poemas escrevo de madrugada. Acordo, penso verso por verso, levanto, registro e no dia seguinte é só passar a limpo. Nesse contexto acredito em algo além, na psicografia, tem outras pessoas nos ouvindo, nos falando. Mas no meu ceticismo, quando eu morrer saberei se isso é verdade ou não. Enquanto vivo nunca me apareceu um morto dentro da minha racionalidade. Quando experimentei a ayahuasca, o chá do Santo Daime, tive muitas visões, voltadas para a minha vida interior, da infância. Existe vida além da morte, morte pós-vida? São conflitos que a gente tem que resolver por meio da nossa arte. Muitos poetas não acreditam em inspiração.

Que ponto do cordel do Rei Cego toca em sua emoção? Jotacê: É o exemplo do filho mais jovem, honrado, confiável, vai e cumpre sua tarefa. Encontra o gigante na Serra da Maravilha, recebe dele uma missão descomunal, cumpre-a e o gigante desonesto ainda lhe impõe uma segunda e a terceira missão. O jovem destemido e perseverante não desiste. Qualidades que lhe garantem chegar ao objetivo, conseguir e levar a água milagrosa para curar a cegueira de seu pai.

Jotacê: A literatura, a arte poética, a dramática existem na razão dos conflitos da condição humana. Se não houvesse conflito tudo seria muito chato. O conflito move o homem a fazer a música, a poesia, o teatro. Ele quer mudar alguma coisa. [‘Mais... mais... É fraca. Aíííííí!!!!’] O artista é de alguma forma contestador. A gente não pode é transferir isso pro plano pessoal. Antes eu queria ser o poeta, o personagem, o salvador da pátria. Depois percebi que só posso ser o poeta (risos). Mas eu posso mudar, voltar a querer ser tudo, outra vez [Gargalhadas. ‘Ô Gueu, se segura!’]. Vozerio. Babel. [‘Você é ou não é poeta?’ – ‘Claro que sou, mas o maior é Jotacê!’ – ‘Você viu, Jota, o que disse o Záia?’].

Algazarra. Esculhambação. O bebum já virou Paulinho, de coração em preto-e-branco e de amizade com Jotacê, que permanece poeta e (quase) lúcido, que escuta Ailton, que fala para todos que pensam que estão sóbrios. E a sobriedade, de paredes brancas, ereta desde os tataravôs de Toinho e Izabel (pais de Jotacê) está ali a 50 metros, de lado para nós, testemunhando como uma Matriz. Não se manifesta. Observa passivamente (?) a filosofia de bonfinenses que madrugam por qualquer arte. A barraca de fubúia, ou bodega a la Jotacê, que é o último ponto de ar livre pra o estilo etílico, vai fechar.

Entre nós um ectoplasma de anjo da meia-noite ajudou a convergência comemorativa a se dispersar. [‘Vi Dr. Aurélio, ele também não perde manifestações culturais’]. Todos assumiram a verve de poeta em conduta natural. Ninguém mentiu, mas por serem poetas saíram todos [‘Argh! Argh! Nunca mais nós vai... vamo ... beb...’ – ‘Nós, não! Vo-cê-ês’] com receio de um indesejável e irreversível enquadramento no versículo de Fernando Pessoa – declamado por Jotacê ali, sob galhas de algarobas: “O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir a dor / A dor que deveras sente”. Daí em diante os bares passaram por cada um de nós. Fechados. Rodando. Lotados. Em direção aos próximos lançamentos.

Antonio Britto - Assessoria de Comunicação Social – P.M.Senhor do Bonfim

Fotos: Cinco Mil

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CORDEL NO I COLÓQUIO SOBRE HISTÓRIA DO TEATRO NO PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU

O I Colóquio Sobre a História do Teatro foi um sucesso retumbante representado pela ‘charanga’ que nos acompanhou ao som de forrós e marchas carnavalescas, da chegada, sábado às 6 da manhã, na escadaria da Estação da Leste, até a despedida na terça, 6 da manhã, na rua José Jorge, local onde viveu Zé da Almerinda e criou o primeiro teatro bonfinense, o Teatro Quintal. Tudo regado a muita alegria, vinho, capotes e cachecóis, pois o clima era o do tradicional frio junino.
No Calçadão do Beco do Bazar, às 10 horas, foi o lançado o cordel QUANDO JOSÉ CARVALHO VIROU ZÉ DA ALMERINDA, Jotacê Freitas e Gilmara Cláudia recitaram o poema escrito pela Internet a quatro mãos em septilhas e sextilhas e todos os presentes tiveram a oportunidade de levar para casa como lembrança do evento. Em seguida a ‘Orquestra’ Filarmônica fez um recital de músicas populares e clássicas, regida pelo maestro Miranda, e o músico Wagner Rosa fez um show acompanhado de sanfoneiro, zabumbeiro e triangueiro.
Todos que iam ou voltavam da feira, pararam para dar atenção ao evento que também expunha banners contando toda a história do Sr. José Carvalho, ex-sapateiro, ex-chofer de praça, ex-estafeta da Leste, que usava suas horas livres para escrever, dirigir e atuar em melodramas circenses que marcaram época na cidade e região.
No decorrer do feriadão debates, apresentações teatrais e musicais, ocorreram com grande participação do público bonfinense e de toda a região.