



Metalinguagens e cordéis
Na programação pré-natalina deste dezembro, a prefeitura carregou a mão na Semana Municipal de Cultura, que contemplou o lançamento de Jotacê Freitas. O condimento de artista irreverente, com tema poético-metafísico em período pré-natalino, resulta em choques e pendências filosóficas intermináveis. No palco ou no meio da praça.
“A poesia tem espaço reduzido na sociedade”– disse Jotacê Freitas, no sábado 10/12, pouco depois do duplo lançamento de Baianices, baianadas e baianidades, que veio numa edição diferente, reunindo 21 folhetos de cordel, separados em três partes: sete falando de costumes soteropolitanos, sete falando da sexualidade geral dos baianos e sete sobre coisas da cultura bonfinense. A curtição de palco foi no Teatro Reginaldo Carvalho, que ficou assim de poetas e artistas de Senhor do Bonfim e região. E o lançamento se completou com O rei cego e os filhos maus, que por ser um folheto com mais de 30 páginas é romance. Esse tem 40 páginas, feito em sextilhas e quatro sextilhas por página. Prá cordel é história longa, mas Jotacê já fez três.

Pois é, foi só acabar autógrafos e recitais lá dentro, Jotacê já tava cá fora, no Quiosque do Idelson na praça do Campo do Gado. Ele e uma galera viciada em poesia e reclamações contra bico seco. Especialmente ele parecia ser o mesmo Jotacê, mas não era. Estava rodeado de uma pequena galera de curtidores. [‘Cês tão vendo a capa’ - perguntou Ailton Ribeiro] “Cumpro meu dever de, como filho da terra, mostrar aos conterrâneos o progresso que faço na carreira literária nesta última fase” – disse Jotacê. [‘Vocês viram os aplausos naquela hora?’– indagou Gueu]. Os curtidores se remetem ao romance o Rei cego... E... Jotacê não resiste. [‘Naquela cadeira estava a Riana’ – lembrou alguém].
Se ligue, são explicações
Jotacê: Com esse cordel eu ganhei, em 2010, o edital do Minc (Ministério da Cultura) chamado Mais Cultura, Prêmio Patativa do Assaré. No Brasil foram 80 os contemplados, eu fui o 43º lugar. [‘Que quiosque é esse? Vai fechar?’]. Na Bahia, entre os oito contemplados eu fiquei com o 4º lugar, todos os ganhadores com direito a publicar três mil exemplares. E o prêmio foi de R$ 7 mil em dinheiro. [‘O Minc prendeu a grana por um ano, ta ligado? É por essas e outras que esse poeta aí, fã do Cuíca de Santo Amaro e do Gregório de Matos, o Boca do Inferno, ta ligado, já versejou a Dilma como rapariga do Lula, num cordel passado. Uaaau!’].
Jotacê: No meu projeto de elaborar a história do Rei cego e os filhos maus resolvi contemplar a região, mas com esse atraso do Minc o custo aumentou muito e... Esse projeto é baseado numa história que minha mãe me contava, com o fundo moral de como os filhos deviam respeitar os pais, a família... [‘Ta gelada não...’]. É um conto bem assentado em nossa cultura popular. Quando cheguei à Faculdade descobri que Câmara Cascudo pesquisou e transcreveu esse conto em várias regiões do país. O Ricardo Azevedo, pesquisador de linha mais moderada no folclore, também registrou esse conto em várias regiões do Brasil. É como ocorre com os contos de tradição oral, o contador vai adaptando, colocando elementos locais e as regiões vão assimilando. [‘Aonde é que ta aberto?” – “Bodega, a gente acha’].
Jotacê: Então, ao cumprir o meu projeto produzi minha versão [‘Pode encher meu copo’] para a região de Senhor do Bonfim. Botei a história onde ela tem de estar: na Serra da Maravilha, Barroca, Pebas, Tijuaçu... Antes eu inscrevi O rei cego e os filhos maus no Banco do Nordeste e não foi aprovado. Aí... Sacomé? [‘Dessa aí tomo uma dose já’]. Veio depois o edital do Ministério da Cultura, mas eu estava desiludido. Faltavam só cinco dias pra encerrar a inscrição, quando Geninho Xeleléo me ligou: – Jotacê, você não pode ficar de fora do concurso do Minc! Com um cordel desse não pode e não pode!

Gente, céticos também se guiam por sonhos!
Jotacê: Eu o iria publicar depois, por conta própria. Mas entrou aí uma história legal. Naquela mesma noite eu sonhei com a ex-esposa dele, Gal Sena Gomes. [‘A Glaucineide Rodrigues?’ – ‘Ta doido, foi o prefeito Paulo Machado’– ‘Não, no grupo de palmas fortes era também o Zé Antonio Oliveira...’ – O Zé Gonçalves também tava lá’] Ela ia jogando esmeraldas na rua e eu ia catando. Despertei e despertei. E decidi: vou inscrever meu projeto, mas da forma mais objetiva possível. Para o concurso do Banco do Nordeste eu tinha elaborado e apresentado 18 laudas; para esse do Minc, ano passado, resumi o projeto a uma página. E fui contemplado com o prêmio Patativa do Assaré. [... ‘e o Pedro Sá e a Mara Guimarães? ’ – ‘Perto da Iris de Guimarães?’ – ‘Tu já ta é mamado: perto do Benedito do Aroeira’].
Bom pro cinema, pra moral e pra místicos de carteirinha
Jotacê discorre no espírito da vitória com o cordel O rei cego e os filhos maus e transmigra: “É uma história com elementos mágicos, lances fantásticos, tramas fabulosas e analogia com a história bíblica de José do Egito. O rei fica cego e seus três filhos saem em busca da cura para a cegueira do monarca”. Vibra com razão, consegue transpor a lenda alienígena para o seu barro natal, em cordel! Teve que limpar com metro e rima temas de traições, covardias e mentiras para exemplificar com arte o valor da coragem, honestidade e amor. Mistérios descomunais. Lendas que podem ser reais. O rei volta mesmo a enxergar? Volta a ver a vida e a solidariedade pretendida, como a do respeito ao próximo que a mamãe Izabel ensinava no mesmo conto pro menino Bolacha, ops!, pro agora poeta Jotacê?
A história que é universal sai do poeta pro cordel e finca-se no bioma bonfinense com a inseparável dualidade da mentira/verdade. Põe gigante, cavalo branco encantado e defunto insepulto a fazerem artes dos diabos, para o bem e para o mal. Divide cabeças. [‘Esse bar é de quem? – Não é bar, é birosca!] Se no romance a luta não é só moral, é guerra que levanta poeira na Grota , quando vai pro altar de mesas de bares de praças, ganha o reforço de um Jotacê sublimado. [‘Essa barraca é Joãozinho, Zecrinha me disse no lançamento, hoje – ‘Hoje não, já é domingo!’]. Debaixo da confluência de duas algarobeiras Jotacê narrou o conto entre a fé e o medo, a fé e a dúvida e sorrindo, entre a dúvida e a dúvida, proclamou: “Deus acredita em mim”.
Foi imediatamente traído pelo arrepio no braço e pelo verso posto O Sono, livro em que divide opinião com Hélio Freitas, Regina Salgado, Edmar Conceição, Emiliana Carvalho, Maisa Antunes e Marcos Cesário, (idealizador da coletânea) em mini-ensaios filosóficos: “Quando eu morrer em Bonfim / De estupor ou azia / Irei feliz para o céu / Pra encontrar Virgem Maria”. Ah, Jotacê! Não é de hoje que, enlevado, como agora, um premiado, sai da linguagem-objeto da comunicação direta e exercita na plenitude a metalinguagem da poesia. Ele não denotou adesão à fenomenologia dos espíritos no falar freudiano de sonhos. Mas filosofou com amparos reticentes. Jotacê: Minha mulher é espírita...”. Prepara-te Walquíria para ilustrar, além de todos os livros, a capa de algum cordel kardecista psicografado pelo marido. [‘Quebrou o copo?’ – ‘Quebrou, mas já tava vazio!’].
Em nome do respeito ao próximo, o cordelista se embrenha no Beco Fino, botecos, trilhas de mato e esquinas de cachaça de raiz, cenário de lutas transcendentais e enigmáticas. [‘Sei, Ailton, aqui é a barraca do Joãozinho’]. Será que pela literatura crítico-educativa teria ele saído do patamar de Proudhon, Bakunin, Malatesta pra praia do Tolstoi, Dostoievski? Já se soma aos 72% que aprovam a presidenta Dilma Rousseff? Jotacê: Não. Estarei sempre com os valores do terceiro filho do rei cego. Ah Jotacê! E os dois filhos traidores, Jota? – Jotacê: Se fosse eu tivesse no lugar do primeiro, teria matado os dois sacanas, maléficos, vis, sujos, desrespeitadores, péssimos filhos, maus cidadãos.
“Pódi incostá, é tudo inteléquito” (bebum manda outro pro grupo de Jotacê)
No auge da tertúlia, na segunda mesa (ao lado da Igreja), aproximam-se dois visitantes: Pódi incostá, é tudo inteléquito, diz um. E o outro obedece: Posso jogar uma mão de prosa? Ailton, Záia, Gueu, todos fingem nada ver, nada ouvir. Jotacê que é o alvo da pergunta cede e escuta do chegado: Você tem uma irmã... É ou não é? Jota vacila e desconversa. [‘Menino, bota mais uma’]. Mas o bebum insiste: Acho que lhe conheço... Lá na escola, parece que lhe chamavam de ... de... de... Bolocha...
Depois dessas, tocar em irmã e sem tirar mistério revelar remoto apelido, o bebum manso vira foco e fica quase um simpático linguarudo, pelo menos até desembuchar. Nossa entrevista com Jotacê caiu e Jota mesmo que ressabiado admitiu: “É, tive mesmo esse apelido e agora me lembro de você”. Eu sou Paulinho, candidato a vereador – se revela o inesperado conviva. Bochichos rolaram [‘Quer voto’ – ‘Não, nos vistos bêbados’]. Tivemos que incorporá-lo. Mas ninguém escapou: Você tem irmã? Todos quiseram saber de todos e do bebum e quem mais houvesse. Quem quer ter irmã em mesa de bar onde quem chega molhado é adotado como sóbrio? A temperatura subiu e a sede voltou [‘Mais uma, três... seis... nem sei’].
Jotacê: Alguns poemas escrevo de madrugada. Acordo, penso verso por verso, levanto, registro e no dia seguinte é só passar a limpo. Nesse contexto acredito em algo além, na psicografia, tem outras pessoas nos ouvindo, nos falando. Mas no meu ceticismo, quando eu morrer saberei se isso é verdade ou não. Enquanto vivo nunca me apareceu um morto dentro da minha racionalidade. Quando experimentei a ayahuasca, o chá do Santo Daime, tive muitas visões, voltadas para a minha vida interior, da infância. Existe vida além da morte, morte pós-vida? São conflitos que a gente tem que resolver por meio da nossa arte. Muitos poetas não acreditam em inspiração.
Que ponto do cordel do Rei Cego toca em sua emoção? Jotacê: É o exemplo do filho mais jovem, honrado, confiável, vai e cumpre sua tarefa. Encontra o gigante na Serra da Maravilha, recebe dele uma missão descomunal, cumpre-a e o gigante desonesto ainda lhe impõe uma segunda e a terceira missão. O jovem destemido e perseverante não desiste. Qualidades que lhe garantem chegar ao objetivo, conseguir e levar a água milagrosa para curar a cegueira de seu pai.
Jotacê: A literatura, a arte poética, a dramática existem na razão dos conflitos da condição humana. Se não houvesse conflito tudo seria muito chato. O conflito move o homem a fazer a música, a poesia, o teatro. Ele quer mudar alguma coisa. [‘Mais... mais... É fraca. Aíííííí!!!!’] O artista é de alguma forma contestador. A gente não pode é transferir isso pro plano pessoal. Antes eu queria ser o poeta, o personagem, o salvador da pátria. Depois percebi que só posso ser o poeta (risos). Mas eu posso mudar, voltar a querer ser tudo, outra vez [Gargalhadas. ‘Ô Gueu, se segura!’]. Vozerio. Babel. [‘Você é ou não é poeta?’ – ‘Claro que sou, mas o maior é Jotacê!’ – ‘Você viu, Jota, o que disse o Záia?’].
Algazarra. Esculhambação. O bebum já virou Paulinho, de coração em preto-e-branco e de amizade com Jotacê, que permanece poeta e (quase) lúcido, que escuta Ailton, que fala para todos que pensam que estão sóbrios. E a sobriedade, de paredes brancas, ereta desde os tataravôs de Toinho e Izabel (pais de Jotacê) está ali a 50 metros, de lado para nós, testemunhando como uma Matriz. Não se manifesta. Observa passivamente (?) a filosofia de bonfinenses que madrugam por qualquer arte. A barraca de fubúia, ou bodega a la Jotacê, que é o último ponto de ar livre pra o estilo etílico, vai fechar.
Entre nós um ectoplasma de anjo da meia-noite ajudou a convergência comemorativa a se dispersar. [‘Vi Dr. Aurélio, ele também não perde manifestações culturais’]. Todos assumiram a verve de poeta em conduta natural. Ninguém mentiu, mas por serem poetas saíram todos [‘Argh! Argh! Nunca mais nós vai... vamo ... beb...’ – ‘Nós, não! Vo-cê-ês’] com receio de um indesejável e irreversível enquadramento no versículo de Fernando Pessoa – declamado por Jotacê ali, sob galhas de algarobas: “O poeta é um fingidor / Finge tão completamente / Que chega a fingir a dor / A dor que deveras sente”. Daí em diante os bares passaram por cada um de nós. Fechados. Rodando. Lotados. Em direção aos próximos lançamentos.
Antonio Britto - Assessoria de Comunicação Social – P.M.Senhor do Bonfim
Fotos: Cinco Mil
O poeta José Walter Pires, lança mais um dos seus folhetos, no Mercado Municipal de Brumado, neste sábado, às 11 horas, junto à Barraca A MILAGROSA, que recentemente foi personagem de uma das suas publicações. Como membro da Academia de Brasileira de Literatura de Cordel, o autor vem fortalecendo a luta de preservação e difusão do cordel, respeitando a qualidade técnica e poética, buscando também atualizar os temas. Quem estiver em Brumado ou na região deve comparecer, não só para prestigiar o poeta mas, para também, se deleitar com a maestria dos seus versos.

O X FESTIVAL DE VIOLEIROS, ocorrerá dia 11/12, a partir das 14 horas, no Teatro do Sindicato dos Comerciários, em Nazaré, com entrada franca. O evento foi um dos vencedores do Premio Mais Cultura de Literatura de Cordel – Edição Patativa do Assaré, promovido pelo MINC em 2010. A apresentação do Festival ficará a cargo do grande poeta, repentista, cordelista e sambador Bule-Bule.
Desta vez 07 duplas foram selecionadas e as pelejas vão passear por várias modalidades do repente: sextilhas, quadras, mote de 7, mote de 10, beira-mar, martelo agalopado, martelo alagoano e rojão pernambucano. Os temas serão os mais diversos possíveis.
As duplas concorrentes aos prêmios são as seguintes: Antonio Queiroz e Davi Ferreira; Leandro Tranquilino e Zé Pedreira; João Ramos e Caboclinho; Zé Francisco e Bráulio Pinto; Antonio Maracujá e Naldinho; Lavandeira e Beija-flor; Lucas Oliveira e Sabiá.
Organizado pela OBPLC – Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura de Cordel, presidida pelo poeta Paraíba da Viola, também diretor artístico do evento, o Festival mostra a força do repente baiano através da organização dos seus poetas e cantadores. A produção é da empresa Plataforma de Lançamento. Será publicado um folheto com o resultado das pelejas.


O poeta João Augusto Rocha, lançará dia 05/12, a partir das 10 horas, na sede da APUB – Associação dos Professores Universitário da Bahia, o folheto “CARLOS MARIGHELLA HERÓI DO POVO BRASILEIRO”. O evento marca o início das comemorações do centenário, deste que foi, o grande revolucionário baiano, Deputado Constituinte de 1946, organizador da Universidade Popular nas prisões por onde passou, assassinado pela Ditadura Militar em 4 de novembro de 1969 na cidade de São Paulo.
Na oportunidade a APUB fixará em sua sede um placa comemorativa ao nascimento de Marighella em 5/12/1911.
A APUB fica na rua Padre Feijó, 45 – Canela. Todos estão convidados.
Ocorreu hoje, 20/11, o II ENCONTRO DE CORDELISTAS, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Nazaré, com as presenças dos poetas José Walter Pires, Creusa Meira, Pilô, Antonio Barreto e Jotacê Freitas. O tema desta vez foi a CONSCIÊNCIA NEGRA NA LITERATURA DE CORDEL e José Walter Pires, membro da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, iniciou falando da discriminação que sofre até hoje a Literatura de Cordel, sendo considerada ainda uma literatura menor e sem qualidade poética ou literária. Falou também da importância da união dos cordelistas para diminuir este preconceito, levando a verdadeira Literatura de Cordel para a sala de aula fomentando novos leitores e a necessidade da criação de um espaço específico para o Cordel em Salvador.

Sua fala foi endossada por todos os presentes, inclusive com um desabafo de Antonio Barreto sobre os critérios de seleção para a participação na Bienal do Livro, evento em que todos querem participar e se mostram cordelistas, mas em outras oportunidades fogem à responsabilidade da manutenção e preservação deste gênero. Afirmou também não ter sido convidado para opinar sobre quem deveria ou não estar na programação, revelando já ter sido convidado para curador por duas vezes mas rejeitou a função por não ter o perfil adequado para a tarefa. Creusa Meira e Pilô, se consideram novatos na área mas gostariam de ver os cordelistas e o cordel ocupando mais espaços. Jotacê corroborou com as falas anteriores sem levantar polêmicas, mas informou que valoriza o ‘cordelista’ como Poeta desde a época do SOPA, jornal literário editado em 2004/05, em parceria com amigos poetas, onde já denominava, em sua coluna sobre Cordel, todos os autores como Poetas. Frisou também que os estudos universitários, conforme lembrou Zé Walter, são centrados nos clássicos e em informações antigas, cometendo falhas sobre a produção contemporânea.

Após o debate, foi realizado um recital com os poetas declamando seus versos. Zé Walter aproveitou para fazer comentários críticos sobre a obra de Antonio Barreto e a Peleja escrita por ele e Creusa Meira, demonstrando como as imagens poéticas e o ritmo são características também do cordel. Pilô, que cantou à capela cordéis de autoria de seus irmãos Moraes e Zé Walter, fez um show à parte, alegando ser a música um recurso para a memorização e foi acompanhado pela plateia nas palmas e no coro do ‘barangandam”. Creusa lembrou que dia 19/11, foi o Dia Nacional do Cordel, em lembrança a Leandro Gomes de Barros e falou da sua luta no movimento sindical e feminista, e para homenagear o Dia da Consciência Negra leu um poema escrito especialmente para o evento. Antonio Barreto cantou em ritmo de repente trechos de cordel sobre Zumbi, Mestre Bimba e Maria Felipe, fazendo em seguida distribuição de folhetos. Jotacê leu o folheto “O Negro lutou pra burro pra ser alguém na Bahia”, recordando a Revolta dos Malês, ocorrida em 25 de janeiro de 1835, um dos marcos históricos da resistência negra contra a escravidão no Brasil.
Rosana, Diretora da Biblioteca Monteiro Lobato, agradeceu a presença de todos, enfatizou que será criada uma Cordelteca e fez um convite para um lanche especial, encerrando o evento.


À noite, os recitais na Praça de Cordel e Poesia, foram comandados por Cleberton Santos, pois José Inácio estava participando com Lita Passos, do Fale com o escritor; e logo depois mediou, no Café Literário, o debate POESIA, SEMPRE VIVA, com Ângela Vilma, Antônio Brasileiro e Mariana Ianelli. Ao assumir a festa da poesia Cleberton cantou Fernando Pessoa no ritmo do repente,acompanhado pela flauta doce de Alberto Lima, lembrando que o poeta português, símbolo da nossa língua, tinha uma grande ligação com a cultura popular. Subiram ao palco: Edson Oliveira, Érika Azevedo, Karina Rabinovitz, Fabrícia Miranda, Ivan Maia, que também entoou versos de cordel, e Lívia Natália. José Inácio Retornou, mas desta vez para o banco da Praça ao lado de Mariana Ianelli. Como sempre declamou seus versos uma força inspiradora e associou os versos das Sete Musas ao canto de cordel. Presentes também, o irmão João Lourenço, a cunhada Dulce Vilas Boas e o sobrinho Juan. Num momento de descontração o poeta demonstra seu amor pela esposa e artista plástica Walkíria, ilustradora dos seus livros.

Luis Campos, o Blind Joker, conhecido na internet por seus cordéis cômicos e em defesa da causa dos cegos, vompareceu á feira para visitar os amigos e colegas, prometendo para em breve lançar em folhetos diversos poemas de cordel já divulgados por ele no blog: cordelandia.blogspot.com

A oitava noite na Praça de Cordel e Poesia, na 10ª Bienal do Livro, foi uma decepção para os amantes do Cordel. O esperado Hélio Alves Teixeira não é um cordelista, mas um cidadão de 65 anos, com uma história de vida singular que ele sentia necessidade de contar, mas o tempo e o espaço não eram convenientes, mesmo assim o curador José Inácio permitiu que o espaço oficial reservado a ele fosse utilizado com o máximo de poesia. É uma alegria ver uma pessoa com tanta experiência experimentando os caminhos da literatura. Infelizmente a Secretaria de Cultura e a Fundação Pedro Calmon não foram criteriosas ao analisar o caso da indicação do senhor Hélio como cordelista. Ainda se mantém o pensamente tacanho de que Cordel é apenas rimar e basta que uma pessoa com pouca escolaridade realizar esta proeza para ser credenciada como poeta. Não é toda hora que surge um Zé da Luz ou um Patativa do Assaré, que apesar de pouca escolaridade, tinham uma ampla visão de mundo, sensibilidade poética e técnica de escrita. Tivemos uma surpresa com uma embolada cantada por José Inácio acompanhado ao pandeiro por Alberto Lima e um cordel no recital de Julio Lucas com Cleberton Santos, Vladimir Queiroz e João Vanderlei de Moraes Filho

Quem marcou presença pela manhã foi o poeta, repentista e músico Bule-Bule, que veio visitar sua Biboca Cultural, administrada por Zuzu Oliveira e Del Marques. Os amigos e colegas foram cumprimentá-lo e lamentar sua ausência. Ele também lamentou a ausência de repentistas na Praça de Cordel e Poesia, o que foge completamente da tradição. Ícone da Literatura de Cordel na Bahia, Bule-Bule, ao ser reconhecido por crianças e estudantes, sentou-se começou a declamar sua poesia. A imprensa também o assediou quando soube da sua presença.
Sabemos que a união das Praça do Cordel com o Porto da Poesia, deu-se por conta da redução de custos, mas a campanha de vários poetas para a retirada do nome Cordel do nome do espaço é negativo para o nosso movimento cultural. Claro que Cordel é poesia, talvez o pai de todas as poesias que transitam na oralidade, na musicalidade e até na escrita, mas a utilização de apenas o termo “Poesia”, seja para uma praça ou terreiro, seria discriminatória e uma forma de afastar “os feirantes” da área. É salutar manter o nome Cordel, com a utilização do espaço diurno, matutino e vespertino, para os repentistas e cordelistas, ficando a noite para a poesia moderna, canônica e de verso livre. Senão, o melhor seria separar as duas praças como ocorria antes, com uma curadoria para cada, sendo que a do Cordel deve valorizar os poetas baianos, sem trazer foheteiros de outros estados.
Hoje, 03/11/, a 10ª Bienal do Livro da Bahia, teve Literatura de Cordel em dose dupla, com Alberto Lima e Maviael Melo. Aliás, desde a primeira sessão de poesia, o poeta Darlon Silva, apresentou uma bela performance com Cordel de Patativa do Assaré, seguido por José Inácio Vieira de Melo, que está sempre cantando aboios e declamando cordéis.

A terceira sessão foi aberta por Alberto Lima empunhando seu pandeiro e cantando uma embolada e logo em seguida convocando ao palco a poeta, Sueli Valeriano, que veio fazer sua estréia como cordelista neste Bienal e está encantando a todos com seus versos e presença performática. Alberto Lima também recitou Castro Alves e versos livres numa invasão aos assentos do espaço, provocando um desconserto em todos os presentes até que entenderam que fazia parte da apresentação, o seu livro foi distribuído para que os presentes pudessem acompanhar a leitura dos poemas.

Em seguida, o cantador, Maviael Melo, subiu ao palco com a atriz Tina Tude. Declamando e cantando, Maviael mostrou por que é um dos cantadores mais respeitados da atualidade, suas músicas tem a herança do trovador medieval com o lirismo áspero do sertanejo. Ele também lançará, dia 04/11, o livro Ciclos, a partir das 21 horas, no stand da Livro.com.
Tina Tude, revelou não ser poeta, mas que estava ali como porta voz do seu pai Tude Celestino, autor de uma trilogia intitulada “Ás de Ouro”, que não é cordel mas tem um estilo bem nordestino acentuado pela dramatização perfeita e emocionante que ela faz.
Amanhã, 4/11, é o dia de conhecermos o poeta Hélio Alves Teixeira.

Nascido em Baixa Grande, Jurivaldo Alves, 65 anos, radicado em Feira Santana, desde os 17 anos, desenvolveu diversas atividades, até tornar-se um folheteiro, em frente ao Mercado Popular de Feira de Santana. Com a prática recitativa de vendedor de cordéis, artista de circo e ótimo contador de histórias, Jurivaldo, aos poucos foi escrevendo seus próprios folhetos e hoje já conta com vários títulos publicados. Jurivaldo Alves, participa de vários eventos culturais em todo o Sertão baiano e faz palestras sobre cordel e a importância do folheteiro como divulgar desta tradicional poesia popular. No folheto O MILAGRE DA BOLEIA, ele narra suas desventuras na estrada quando era caminhoneiro. Esta sua prática acabou contaminando sua filha patrícia Oliveira, 35 anos, que depois de realizar pesquisa sobre Lampião a seu pedido, passou a escrever folhetos e possui dezenas deles publicados, inclusive o sucesso HISTÓRIAS DE PRINCESAS.

Na 10ª Bienal do Livro, o poeta e folheteiro, Jurivaldo Alves, pisa o tapete vermelho com sua Mala de folhetos raros e clássicos, de autores baianos e também de outros estados do Nordeste.
No mesmo espaço e momento, será lançado também a antologia "BAIANICES, BAIANADAS E BAIANIDADES", com 21 histórias retratando o modo de vida baiano a partir de fartos reais ocorridos em Salvador e em Senhor do Bonfim, terra natal do poeta. O Valor do livro é de R$ 20,00 e o romance R$ 5,00, ao adquirir os dois, o leitor terá um desconto de 20%, totalizando R$ 20,00. Este livro é uma produção independente e conta com a impressão, edição e apoio da Editora e Gráfica VENTO LESTE.
Na oportunidade, Jotacê Freitas, homenageará Antonio Vieira a partir de epígrafe na abertura do livro, e os amigos e colegas Franklin Maxado e Antonio Barreto.

Hoje, foi um dia sem recital de Cordel na Praça de Cordel e Poesia, na 10ª Bienal do Livro da Bahia, mas houve rebelião dos expositores por mais divulgação e redução do preço do ingresso. Em Bienais passadas, o valor do ingresso era abatido na compra de livros, este ano esta regra não valeu. Além do mais, crianças sem carteira de estudante e com mais de um metro de altura estão sendo obrigadas a pagar o valor de inteira do ingresso, ou seja, R$ 8,00 (Oito reais).

Tudo transcorria bem na Praça da Poesia e Cordel, com os recitais dos poetas Bernardo Almeida, Moacir Eduão e Ronaldo Cagiano, que veio de São Paulo para participar e conhecer o nosso evento. No final da segunda sessão com as poetas Lita Passos, Clotilde Ribeiro e Nívea maria vasconcelos, já ouvíamos de longe um tumulto. Devíamos ter pressentido que a Bruxa estava solta, na performance da poeta Clara Maciel. Ao dar início à última sessão, com os poetas Everton Lima, Flávia Wenceslau e Gabriel Gomes, o curador e apresentador José Inácio Vieira de Melo quis saber qual o motivo do tumulto que se aproximava e foi informado que tratava-se de um protesto dos expositores contra o movimento fraco, por conta da falta de divulgação e cobrança dos ingressos sem bônus, exigindo portanto mais divulgação na mídia e liberação da entrada. Expositores e funcionários com palavras de ordem e palmas, pediam para os demais expositores fecharem seus stands em apoio ao movimento. Alguns exigiam o franqueamento da entrada. Em conversa com o escritor Hugo Homem e sua esposa Maritzia, relembramos Bienais anteriores, onde a divulgação era maciça, ocorriam eventos, existia a troca de bônus por notas fiscais e os escritores e poetas recebiam cachê para palestras, recitais e oficinas. Este ano, é bom frisar, que a Prefeitura Municipal está enviando os alunos da Rede Municipal apenas para olhar vitrines e recolher marcadores de livros, enquanto o Estado distribuiu R$ 100,00 em bônus para os professores e R$ 30,00 para os estudantes que visitaram a Bienal. Deste jeito não se pode incentivar a leitura. É bom frisar que os brinquedos, posters, jogos e bugigangas continuam sendo os produtos mais consumidos por estudantes, enquanto os livros continuam nas estantes.

Consciente da importância da poesia, o curador Zé Inácio, mandou o show prosseguir e o poeta Gabriel Gomes, apoiou o movimento, levando os manifestantes até à Praça para agradecer e seguir pelos demais corredores do Centro de Convenções.
E a noite prometia e exalava rebelião com a chegada do poeta José Walter Pires, que acabara de chegar de Caruaru, reclamando da irresponsabilidade da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, onde é um dos membros imortais, pois foi a um encontro que não ocorrera. Ele vem debatendo com os demais poetas sobre a contemporaneidade do Cordel e a manutenção da tradição, mas com qualidade técnica e poética, tema a ser tratado em breve aqui nestas páginas, pois trata-se de um tema que dá panos pra manga.
Teremos Cordel na Praça do Cordel e Poesia, apenas na quinta-feira, dia 03/11 com Mavial Melo e Alberto Lima, às 20 horas. Os visitantes Também têm se queixado que a Praça fica vazia o dia inteiro com tanto equipamento disponível e poetas dispostos a ler seus versos.
A terceira noite da 10ª Bienal do Livro da Bahia, contou, entre outros, com a presença dos poetas e músicos Antonio Barreto e Babilak Bah. Os versos de cordel de autoria de Barreto encontraram pouso nos ritmos tradicionais e melodias eletrônicas do mineiro Babilak. O som eletro psicodélico tomou conta da praça até Barreto pegar sua gaita e entoar Asa Branca de Luiz Gonzaga para nos levar a uma viagem ao sertão à bordo de uma nave espacial. Babilak com seus versos modernos, influenciados por Patativa do Assaré e Haroldo de Campos, mostrou que “a nossa poesia é uma só”, como nos ensinou o mestre do Cordel Remoçado, Antonio Vieira.

De improviso com um pandeiro na mão, acompanhado pelo toque de enxada de Babilak, Barreto cantou e interpretou diversos cordéis, encerrando com uma homenagem às crianças presentes à iluminada e lotada Praça de Cordel e Poesia, que nesta noite foi o melhor espaço na 10ª Bienal do Livro da Bahia. Na platéia, poetas e amigos, leitores e funcionários pararam, acompanharam com palmas e agradeceram com aplausos.

O poeta Eliseu Moreira Paranaguá, um dos poetas a se apresentar antes da dupla, Barreto e Babilak, ficou extasiado e agradeceu ao show. João Rocha, Pilô, Prof. Ferreirinha, Coaraci, Walkiria Andrade, Creusa Meira, Franklin Maxado, Luis Natividade, Antonio Jorge, Rita Sanana, Lita Passos, Jurivaldo Alves, Del Marques, Zé Inácio e Rita, a amada do poeta, foram unânimes, Barreto tem que gravar um CD para registrar seus dotes musicais. Babilak Bah foi surpreendente pela união de poesia e música experimental.
A segunda noite da 10ª Bienal do Livro da Bahia foi tomada pelo cordel histriônico do maior poeta vivo da Bahia, Franklin Maxado Nordestino, depois de uma volta em meio mundo, veio diretamente dos Estados Unidos de Feira de Santana, para alegrar a noite com seus versos críticos e cômicos. Recitou trechos de vários folhetos, cantou um aboio desafio com o poeta e curador da Praça de Cordel e Poesia, José Inácio Vieira de Melo, convidou amigos e parceiros ao palco deixando a platéia extasiada com a sua energia jovial e verve poética inspirada e inspiradora.

Durante o dia diversos poetas se encontraram na praça para comercializar e trocar folhetos. Com 6 estantes, a Praça de Cordel e Poesia virou uma referência para a cultura popular baiana e nordestina: Antonio Barreto está acompanhado por Pilô, José Walter Pires e Gabriel Arcanjo; Jotacê Freitas, divide o espaço com Creusa Meira e Luis Natividade; Franklin Maxado está ladeado por Jurivaldo Alves e João Cardoso Filho; Coraci Vieira, comando a Homengaem a Antonio Vieira com a bancada do Cordel Remoçado, auxiliada por Antonio Jorge; Zuzu Oliveira está à frente da Biboca Cultural Bule-Bule juntamente com Tel Guedes; e, Alberto Lima, comanda a bancada dos Jovens Cordelistas: Davi Nunes, Pardal do Jaguaribe, Inussa Gomes, Osmar Machado Junior, Tiago Gato Preto da Sorte, Gabriela Toledo e Úpia Campos Maya.

No estande das Editoras Baiana, o Professor Ferreirinha, expõe seus folhetos no estande da Editora Vento Leste, a maior editora de cordel da Bahia; e a poeta Sueli Valeriano, veio diretamente de Ituberá para expor seus folhetos em estante independente.
Avizinhada à Praça de Cordel, está o Memorial do Cordel, comandado pelo poeta e mestre da xilogravura Abraão Batista, onde estão expostos e disponíveis para venda, diversas xilogravuras e folhetos de sua autoria e de outros autores nordestinos.
O poeta Jotacê Freitas, fez os pré lançamentos dos Livros O REI CEGO E OS FILHOS MAUS e BAIANICES, BAIANADAS E BAIANIDADES. Dia 02/11, na espaço Ruy Espinheira Filho, os dois livros serão lançados oficialmente na programação da 10ª Bienal, às 16 horas.

Toda esta movimentação demonstra que o Cordel Baiano está mais vivo do que nunca e ocupa seu devido espaço da maior feira de livros do estado. Evidente que os poetas precisam de mais espaço, tanto para recitar quanto para expor, pois o tamanho das bancas impede uma maior exposição das suas obras. Esperamos que na próxima Bienal, a Fundação Pedro Calmon e a Fagga Produções, mantenham a PRAÇA DE CORDEL E POESIA e sanem os problemas aqui citados.
Hoje à noite, a partir das 20 horas, teremos a presença de Antonio Barreto, recitando e cantando seus versos. Compareçam!


“A Praça de Cordel e Poesia vem com todo o ímpeto e com todo o encanto que são característicos da linguagem poética. Nesta edição, contempla, mais uma vez, as diversas faces da poesia baiana contemporânea, além de apresentar ao público alguns poetas de outros estados e até de outro país.
Ao todo serão 86 artistas da palavra que farão, ao longo das dez noites de bienal, um grandioso espetáculo. A cada noite, a partir das 18 horas, acontecerão três sessões de poesia. Cada uma com dois ou três artistas e com duração de 50 minutos.Estiveram reunidos neste domingo, 16/10, na Biblioteca Infantil Monteiro Lobato,em comemoração ao Dia das Crianças, os poetas: Antonio Barreto, Creusa Meira, João Augusto, Jotacê Freitas, Luis Campos, Pilô, Sebastião Gomes Brito e Zuzu Oliveira. O objetivo era expor suas produções voltadas ao público infantil e apresentar às crianças esta arte literária que a todos encanta.
As crianças presentes encantaram-se com as diversas histórias declamadas e comentários poéticos. Os poetas Franklin Maxado e Bule-Bule, também convidados, não compareceram mas mandaram recados pras crianças,José Walter Pires, além de desculpas enviou alguns títulos para os colegas: O Encontro do lobisomem solitário com o vampiro mensageiro, A Milagrosa, curando o mal pela raiz e Olho vivo no dinheiro público.





Ao final, uma das crianças perguntou como foi que cada um iniciou seu trabalho com o cordel e os depoimentos foram emocionados e cômicos. Rosane Rubim, diretora da biblioteca, anunciou o projeto de criação de uma Cordelteca com autores baianos, adquiriu um exemplar de cada cordelista, agradeceu a participação e convocou os poetas a participaram de novo evento em homenagem à Consciência Negra.