
domingo, 20 de dezembro de 2009
CORDEL PARA "EL MUNDO"

CORDEL NA III CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA
Nos tempos atuais, Maysa Miranda, Dona Zuzu, Gilmara Cláudia e Creusa Meira, entre outras que ainda se escondem, escrevem e publicam seus versos com orgulho e certeza de que fazem parte de um grupo que acredita nas palavras como arma contra a hipocrisia, o desamor, a desonestidade e outros males que assolam na humanidade.
Abaixo, Maria José de Lima Macedo, poeta de Santa Bárbara, expõe sua opinião sobre a III CONFERÊNCIA ESTADUAL DE CULTURA, usando métrica e forma difíceis, décimas decassílabas, de uso mais comum estre os repentistas violeiros. A poeta faz variações métricas com onze sílabas, no estilo do Galope, usando como mote "Santa Bárbara minha cidade".
A Conferência ocorreu de 26 a 29 de novembro, na cidade de Ilhéus.
"Que toda e qualquer manifestação
Que caracterize um fato cultural
Em valor de direito seja igual
Oriunda do agreste ou do sertão
De qualquer território ou região
Das cidades ou dos sítios mateiros
Seja elas de palco ou de terreiro
Que se cumpra esta lei que já existe
Pra deixar nossa cultura menos triste
Que se apresente a orquestra e o violeiro.(...)
Me formei professora do lugar
Pensando que mais fácil ia ser
Me enganei e agora posso ver
Que por ser professora e cordelista
Nos editais oferecidos aos artistas
Simplesmente não posso concorrer
Estou hoje aqui para tentar
Esta lei esquisita reverter
Porque sei que nasci para escrever
Professora é uma história “do sonhar”."
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
CORDEL NA ILHA
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
O ABOIO MODERNO DE MAXADO NORDESTINO
“Franklin Maxado, é um feirense que renovou a Literatura de Cordel de feira quando morava em São Paulo e que é jornalista formado pela UFBA. Fundou e dirigiu as primeiras sucursais de jornais da capital em Feira (Jornal da Bahia e Emissoras e Diários Associados). Trabalhou ainda em A Tarde, na Folha de São Paulo, tendo três livros sobre Cordel e Xilogravura publicados pelo histórico jornal Pasquim, do Rio de Janeiro. É também da turma fundadora da TV Educativa da Bahia, onde teve um programa diário.
Voltando para Feira em l990, dirigiu por mais de l0 anos o Museu Casa do Sertão da UEFS, que idealizou, e também presidiu a AFL- Academia Feirense de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico de Feira (interinamente). Tem uma fazendinha onde cultiva suas raízes rurais e a criação de gado.
Tem 300 cordéis publicados, além de livros como o Álbum de Feira de Santana (ensaio com desenhos), Protesto à Desuman-Idade (poemas), Profissão de Poeta (poemas), Negramafricamente (poemas) eAntologia de Cordel da Editora Hedra.”
Segundo Franklin Maxado, “o Aboio é um canto de vaqueiro no seu trabalho para chamar ou tocar os bois no pasto ou na boiada pelas antigas trilhas. Na região pecuária de Feira de Santana, muito se ouviu esse canto monocórdio e gutural, principalmente no fim da tarde quando se prendiam os bezerros apartando das vacas a fim de tirar o leite delas pela manhã. A colonização portuguesa e mestiça no interior do país foi basicamente com as fazendas de gado, gerando uma população rural e folguedos do nosso Folclore como o Bumba-Meu-Boi.”
Na nova canção, o poeta denuncia a industrialização das fazendas e a mercantilização desenfreada dos animais que hoje vivem quase mudamente, quase sem mugidos, com os seus vaqueiros motorizados e sem aboios.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
LEI MARIA DA PENHA EM CORDEL

Apaixonada pelos versos populares do mestre Patativa do Assaré, Creusa Meira é uma cordelista nata, lá das bandas de Dom Basílio-BA.
Em amor à cultura popular, participa de Semanas Culturais em Livramento, município baiano onde passou parte da juventude. Foi lá que, entre escritos antigos em forma de diários e ABCs em sextilhas, do seu pai Né Meira, despertou para a literatura de cordel. Na internet, tem participado de festivais de versos e concursos de cordel. Creusa reside em Salvador, onde trabalha como bancária. Possui vários trabalhos publicados em folhetos.
No novo folheto ela parte em defesa da causa feminina relatando em septilhas as mazelas da violência e os benefícios da Lei Maria da Penha.
“A vida sem violência
É direito da mulher,
Procure o atendimento
Onde você estiver;
A Lei Maria da Penha
Pode ser a sua senha
Denuncie, quando quiser.”
domingo, 22 de novembro de 2009
CORDEL DA CONSCIÊNCIA
sábado, 14 de novembro de 2009
CORDEL ILUSTRADO

A canção infantil “O Cravo Brigou com a Rosa” serviu como inspiração para Antonio Barreto escrever este belo livro cuja narrativa pode ser lida e cantada enquanto acompanhamos a história de amor de dois jovens dos dias de hoje. As alegres ilustrações de Antonio Cedraz dão um toque especial a este cordel que inova no seu formato.
O público presente ao lançamento na Livraria Multicampi LDM, a partir das 10 horas de hoje, se encantou com o livro e o recital promovido pelas crianças do Grupo Calabar Força Total, freqüentadores da Biblioteca Comunitário do bairro, orientados por Professora Nildes. Diversos poetas também recitaram em homenagem aos autores.
Antonio Barreto é autor de vários artigos em jornais, revistas e antologias, tem editado 100 folhetos de cordel que abordam temas ligados à educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa. Ultimamente, Antonio Barreto vem se dedicando à cantoria e ministrando palestras e oficinas de cordel em escolas, faculdades e outras instituições.
Antonio Cedraz é o criador da Turma do Xaxado, com a qual ganhou, 6 vezes, o mais importante prêmio de Histórias em Quadrinhos do Brasil: o HQ MIX, da Associação dos Cartunistas do Brasil. Mestre dos Quadrinhos pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo, tem revistas editadas por várias editoras de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Curitiba, além de ter publicado inúmeras histórias em quadrinhos e tiras diárias em jornais de todo o Brasil e em jornais e revistas de Cuba, Portugal e Angola.
domingo, 8 de novembro de 2009
CORDEL NO PARQUE DA CIDADE - SALVADOR
A Biblioteca Móvel, da Fundação Pedro Calmon, promoveu, neste domingo, mais uma Oficina de Cordel com o poeta Jotacê Freitas, no Parque da Cidade.
Tendo como tema a Consciência Negra, o poeta fez leituras de folhetos, contou história e ensinou as técnicas básicas do cordel para crianças através das quadras com o próprio nome e palavras de origem africana, estimulando o reconhecimento da identidade afro em nosso povo.
"A Revolta da Chibata / Dos Malês e Alfaiates / Foram provas decisivas / Pra acabar com o disparate / De que o Negro era covarde / Não partiu para o combate."
As crianças que participaram levaram folhetos de cordel para casa.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
ANO DA FRANÇA NO BRASIL EM FEIRA DE SANTANA 1
O CUCA - Centro Universitário de Cultura e Arte, da UEFS - Universidade de Feira de Santana, realizou na última quinta-feira a abertura da Exposição "Muitos destinos, uma só Bahia", na Galeria Carlo Barbosa e do lançamento de três cordéis dos poetas baianos Franklin Maxado, Jotacê Freitas e Antonio Barreto, em homenagem ao Ano da França no Brasil.
ANO DA FRANÇA NO BRASIL EM FEIRA DE SANTANA 2
Os poetas Antonio Barreto, de Santa Bárbara; Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim; e o anfitrião Franklin Maxado, de Feira de Santana; estiveram presentes autografando os livros, enquanto a dupla de repentistas Lucas de Oliveira e Zé Francisco, e o cantador da Zona da Mata, Sapiranga, encantavam o público com seus versos e melodias.
Estiveram presentes diversos artistas, poetas e autoridades.
domingo, 25 de outubro de 2009
O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 1
O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 2
Aconteceu no dia 24 de outubro, sábado, a partir das 20 horas, o IX FESTIVAL DE VIOLEIROS E REPENTISTAS DE SALVADOR, em homenagem a Papada e com apoio da FPC, OBPLC e Sindicato dos Comerciários, no Espaço Cultural dos Comerciários, em Nazaré. Paraíba da Viola, atual presidente da Ordem dos Poetas da Bahia, iniciou falando das dificuldades para a realização do evento e da condução da bandeira do Cordel na Bahia, que não é uma tarefa só dele, mas de todos os poetas.
O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 3
Bule-bule assumiu o comando do evento para que Paraíba participasse da peleja. Com sua costumeira animação anunciou os membros da comissão julgadora e enumerou as duplas concorrentes aos 10 Troféus expostos na mesa. Participaram do evento, as seguintes duplas:
Caboquinho e João Ramos; Zé Pedreira e Leandro; Antonio Queiroz e Beija-Flor; Paraíba da Viola e Davi Ferreira; Nadinho e Antonio Maracujá; Bráulio Pinto e Rui Aboiador; e, Zé Francisco e Lucas de Oliveira. A festa foi finalizada com o Grupo de Samba Raízes do Sertão.
sábado, 17 de outubro de 2009
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 1
O ANO DA FRANÇA NO BRASIL NO CORDEL BAIANO foi um sucesso. O cordel e a cultura francesa despertam interesses nas mais diversas pessoas.
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 2
O poeta Franklin Maxado “Nordestino” foi o primeiro a subir ao palco. Mandou ver no seu conhecimento sobre a cultura francesa e até ensinou uma tradicional canção infantil francesa com direito a coreografia e tudo. No seu folheto INFLUÊNCIA DA FRANÇA NO CORDEL BRASILEIRO ele nos mostra em septilhas que “Mesmo tendo batalhado / Por séculos a leitura, / o Cordel na França teve / Sujeito a cruel censura / De Napoleão III / Que proibiu o livreiro / De escrever com feitura.”
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 3
Em seguida, Jotacê Freitas falou da influência do comediante Molière em sua arte teatral e poética justificando o título do seu folheto: “NA ESCOLA DE MOLIÈRE, POQUELIN FOI PROFESSOR”. Em seus versos, o poeta narra a peça “ESCOLA DE MULHERES” e revela um pouco da ‘filosofia’ de Molièrie: “Endireitar esse mundo / É uma loucura sem par / O mundo não tem mais jeito / E não há o que mudar / Deixa ele seguir em frente / Pra ver onde vai parar.”
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 4
Antonio Barreto agradeceu a presença dos convidados e dos freqüentadores da Cantina da Lua, desculpou-se por estar sem condições de falar muito, em função de uma virose, mas trouxe de presente um cantador de chula, Carlinhos Boca, de Santa Bárbara, pra levantar o astral dos presentes com a cultura baiana de raiz. Em “DETALHES DA REVOLUÇÃO FRANCESA EM VERSOS DE CORDEL”, o poeta ressalta a importância desse evento para a humanidade. “Das grandes revoluções / De caráter social / A Revolução Francesa / Foi um referencial / De mudança pioneira / Muito mais que alvissareira / Na História Universal."
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 5
A solenidade de lançamento foi encerrada por Elizeu Moreira Paranaguá, poeta e produtor do evento, analisando a importância cultural da união França-Brasil e de como o cordel é importante não só para a cultura brasileira.
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 6
ANO DA FRANÇA NO BRASIL 7
Poetas amantes do cordel e dos cordelistas também marcaram presença no lançamento e brindaram com cravinho esse evento literário tão raro em nossa Salvador. O Xilogravurista Luiz Natividade e os poetas Gilberto Teixeira e Douglas Almeida. Marcaram presença também, os poetas Geraldo Maia, Boa Morte, Osmar Machado e Wladimir Cazé que foi se despedir do turma pois segue pra Vitória com a benção do Espírito Santo.
Bernardo Almeida, poeta, jornalista e videasta, com sua camêra Sony registrou cada detalhe da festa, à sua frente os poetas Creusa Meira e Rutinaldo; e ao fundo Elizeu, dirigindo a cena.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
FRANÇA REUNE POETAS BAIANOS
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
A MÉTRICA

BA TA TI NHA QUAN DO NAS CE
1 2 3 4 5 6 7 8
ES PAR RA MA PE LO CHÃO
1 2 3 4 5 6 7
CAR RE GO PA PAI NO BOL SO
1 2 3 4 5 6 7 8
E MA MÃE NO CO RA ÇÃO
1 2 3 4 5 6 7
Essa medida permite ser cantada em ritmo de repente, embolada, forró, funk, samba e até rap.
OLHA A RIMA QUE DÁ

RIMA SOANTE, consoante ou consonantal em que a semelhança tem quer ser nas vogais e nas consoantes. Exemplos: existe/triste – panela/janela – João/mamão – Ana/banana – Raquel/pastel – Ivo/vivo. Esse tipo de rima é a exigida pelos tradicionais repentistas.
RIMA TOANTE, assoante ou vocálica em que a semelhança está apenas nas vogais tônicas. Exemplo: ovo/bobo – novo/fogo – estrondo/sonho – cinza/restinga – tormento/vertendo. Esse tipo de rima é praticada eventualmente pelos poetas contemporâneos e é discriminada pelos conservadores.
ESQUEMAS RÍMICOS

SALTEADAS: X A X A – X A X A X A - X A X A B B A
CRUZADAS: A B A B – A B A B A B – A B A B C C B
EMPARELHADAS: A A B B – A A B B C C – A A B B C C B
ESTROFAÇÃO

SEXTILHA – conjunto com 6 versos ou pés.
SEPTILHA – conjunto com 7 versos ou pés.
DÉCIMA – conjunto com 10 versos ou pés.
sábado, 10 de outubro de 2009
ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO 6
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ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO 5

ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO 4

sexta-feira, 9 de outubro de 2009
ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO 3

ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO 2

ASSIM CAMINHA O CORDEL NOVO

O QUE É CORDEL?
De maneira que, qualquer outra manifestação semelhante ao cordel, cujo conteúdo divirja deste trinômio, deve ser apreciada com reserva. Não é poesia de cordel autêntica. Só existe uma maneira de identificar o cordel legítimo: é através da analise da ideologia que ele reflete. O poeta popular nordestino é conservador, por excelência. Há que examinar detidamente cada conteúdo dos folhetos, através da linguagem e das idéias que ali transparecem com espontaneidade.
Em geral, o poeta popular nordestino é católico ortodoxo. É amigo do vigário, defendendo-o em todo o sentido. Por sua vez, os padres prestigiam a tarefa dos poetas populares, quando não a exploram. O poeta popular é sempre a favor do governo. Há mesmo um célebre ditado que diz: "Contra o governo, rio cheio e pomba dura, etc..." Como igualmente o poeta popular repudia ou ironiza as inovações da tecnologia moderna. O que não quer dizer que não haja exceções, um bom exemplo é o nosso conhecido conterrâneo, Patativa do Assaré.
Dois ilustres folcloristas brasileiros, Luis da Câmara Cascudo e Manuel Diéges Júnior, trouxeram, contribuição ao problema da origem da nossa literatura de cordel. Cascudo em vários ensaios e livros, sobretudo no seu "Vaqueiros e Cantadores" e "Cinco Livros do Povo", e Manuel Diéges Júnior especialmente no ensaio "Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel". Eles nos mostraram a vinculação dos folhetos de feira, a partir do século XVII, com as "folhas volantes" ou "folhas soltas", em Portugal, cuja venda era privilégio de cegos, conforme informava Téofilo Braga.