Diálogos sobre literatura, lançamento de livros, homenagens e bate-papo com escritores foram alguns dos ingredientes da premiação da 4ª edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras, realizado pelas editoras Via Litterarum e Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), com o patrocínio da Fundação Chaves e apoio da Fundação Cultural de Ilhéus. O evento ocorreu no último dia 02 de junho, no Teatro Municipal de Ilhéus, e reuniu poetas, pesquisadores e escritores da cena literária da Região em uma grande celebração. "A Peleja Virtual entre dois vates arretados!" escrita por Gustavo Felicíssimo e seu amigo Lourival P. Piligra Junior, lá de Itabuna, venceu a 4ª Edição do Prêmio Bahia de Todas as Letras. Partes do folheto original foram publicadas em uma belíssima antologia. Além disso, teve uma premiação em dinheiro: R$2.000,00, o que gerou uma quantidade enorme de concorrentes, valorizando ainda mais o concurso. É o primeiro folheto publicado por Gustavo Felicíssimo, apesar de ter vários escritos,ele que, em Salvador, transitou naturalmente entre poetas populares e eruditos, experimentando estilos e temas. A peleja é uma forma poética de disputa de qualidades e exibição de cultura, é importante rebaixar o oponente e exaltar-se para a platéia. Tradicionalmente , entre violeiros repentistas, os poetas saíam até na mão para resolver uma questão poética. No folheto premiado os duelistas fazem uma exposição de vantagens pessoais e passeiam pela história da literatura grapiúna através dos seus maiores autores. Todo esse trabalho é construído com belos versos compassados pelas rimas, métricas e diversas formas do cordel, como pede uma boa peleja.
Piligra: Minha fama ganha o mundo, Meu nome rima com glória, Já sou parte da história, Pois sou poeta fecundo; Na peleja vou ao fundo, Nada tenho que temer, Sei rimar e vou vencer Esta disputa poética; Respeito toda estética - Serei mestre pra você!
Gustavo Felicíssimo: Sou chumbo do grosso e certeiro arrebato Quem canta tão mal esse mundo real, Arraso com versos quem for desleal, Dou voltas no globo e sensato combato Quem versa e conversa sem ter aparato. Você não engana a quem sabe cantar As coisas da terra e a graça de amar, Por isso não podes, Piligra, querer Ser vate e ser forte, o meu mestre ser, Nos dez de galope na beira do mar.
Ocorreu no sábado, 05 de junho de 2010, o Seminário sobre Literatura de Cordel promovido pela Ômega Assessoria Pedagógica, na cidade de Santa Bárbara, no Centro Educacional São José. A inserção da literatura de cordel na prática educativa para despertar na classe docente a importância dessa literatura na sala de aula foi o principal objetivo do evento que contou com a presença de professores não só da cidade de Santa Bárbara, mas de Tanquinho, Coração de Maria, Feira de Santana, Amélia Rodrigues, Serrinha e outras localidades da região. Os poetas e professores Antonio Barreto e Jotacê Freitas relataram experiências e ensinaram as técnicas da leitura e escrita da Literatura de Cordel aplicadas ao ambiente da sala de aula. O professor Nestor Junior fez uma exposição sobre a importância da interdisciplinaridade no processo educativo. Objetivos mais específicos como proporcionar um diálogo entre o conhecimento científico e a cultura popular; utilizar o cordel como recurso atrativo e dinâmico na mediação de aprendizagens; corroboraram com a tese de que, por abordar temáticas diversas, o cordel está atrelado à interdisciplinaridade, portanto é muito útil como ferramenta pedagógica. A Ômega Assessoria Pedagógica que tem a direção geral de Maurício de Oliveira Ribeiro e Rita Sônia de Oliveira Barreto, está de parabéns pela iniciativa e organização.
Ironizando a ignorância dos edis feirenses, o poeta Franklin Maxado Nordestino, publicou em sua coluna semanal no Tribuna Feirense de 5 de junho, a notinha abaixo com o título de INCONSTITUCIONALÍSSIMAMENTE . “O Vereador Frei Cal teve há poucos dias uma proposta de criação de Cordeltecas nas escolas municipais rejeitada pelos demais colegas. Agora, o Presidente Lula acaba de sancionar para o Ministério da Educação a lei autorizando a criação de bibliotecas em todos os Município do país. Ora , Cordel é livro e uma cultura trazida pelos portugueses que ficou e se desenvolveu há séculos no nosso Nordeste e daqui foi para outras plagas. A feira-livre de Feira de Santana foi e é centro de publicação e venda desses folhetos que tratam de estórias, acontecimentos, romances, casos, reivindicação, reportagens e todo assunto dentro duma ótica popular. Até a UEFS tem uma grande coleção no Museu Casa do Sertão para servir aos pesquisadores e aos seus alunos, sendo os primeiros fornecido por este escriba. Assim, Frei Cal pode voltar o seu projeto das cordeltecas pois não é”inconstitucional”como acharam de dizer. E aqui tem tradição pois o enforcamento de Lucas da Feira teve um abecê até hoje cantado. Afora poetas famosos. É a santa ignorância de muitos vereadores que dizem representar o povo mas que não sabem o que o povo lê, escuta e quer.”
A Omega Assessoria Pedagógica, com sede na cidade de Santa Bárbara, na Bahia, estará promovendo no próximo dia 05/06, sábado, das 08 às 18 horas, no Centro Educacional São José, apresentações, palestras e oficinas sobre a Literatura de Cordel como ferramenta pedagógica. Além de especialistas em literatura e educação, estarão presentes os poetas e professores Antonio Carlos de Oliveira Barreto e Jotacê Freitas.