domingo, 22 de novembro de 2009

CORDEL DA CONSCIÊNCIA




O Novembro Negro da Fundação Pedro Calmon incluiu o cordel na sua programação. O poeta Jotacê Freitas esteve na Praça Ana Lúcia Magalhães, no Itaigara, realizando uma oficina de cordel para as crianças presentes. Contou história e leu cordéis.
Sob a sombra de árvores, crianças e adultos se reuiniram em torno das mesas e ouviram, falaram e escreveram versos de cordel.
O professor utilizou a música e a leitura dramática para atrair a atenção dos participantes, que também estavam interessados em lápis de cor e nas ilustrações dos folhetos.
O tema da oficina foi a Consciência Negra e o oficineiro leu versos sobre os preconceitos e influências da cultura afro no Brasil. No Brasil só, não, na Bahia!
No folheto "O Negro lutou pra burro pra ser alguém na Bahia!" o poeta escreveu:

"Entre esses negros havia
Discípulos de Maomé
Da religião Islã
Um povo de muita fé
Letrado e também casado
Com mais de uma mulher."
Mostrando a diversidade do povo africano na Bahia.

sábado, 14 de novembro de 2009

CORDEL ILUSTRADO



A canção infantil “O Cravo Brigou com a Rosa” serviu como inspiração para Antonio Barreto escrever este belo livro cuja narrativa pode ser lida e cantada enquanto acompanhamos a história de amor de dois jovens dos dias de hoje. As alegres ilustrações de Antonio Cedraz dão um toque especial a este cordel que inova no seu formato.

O público presente ao lançamento na Livraria Multicampi LDM, a partir das 10 horas de hoje, se encantou com o livro e o recital promovido pelas crianças do Grupo Calabar Força Total, freqüentadores da Biblioteca Comunitário do bairro, orientados por Professora Nildes. Diversos poetas também recitaram em homenagem aos autores.

Antonio Barreto é autor de vários artigos em jornais, revistas e antologias, tem editado 100 folhetos de cordel que abordam temas ligados à educação, problemas sociais, futebol, humor e pesquisa. Ultimamente, Antonio Barreto vem se dedicando à cantoria e ministrando palestras e oficinas de cordel em escolas, faculdades e outras instituições.

Antonio Cedraz é o criador da Turma do Xaxado, com a qual ganhou, 6 vezes, o mais importante prêmio de Histórias em Quadrinhos do Brasil: o HQ MIX, da Associação dos Cartunistas do Brasil. Mestre dos Quadrinhos pela Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo, tem revistas editadas por várias editoras de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Curitiba, além de ter publicado inúmeras histórias em quadrinhos e tiras diárias em jornais de todo o Brasil e em jornais e revistas de Cuba, Portugal e Angola.

domingo, 8 de novembro de 2009

CORDEL NO PARQUE DA CIDADE - SALVADOR



A Biblioteca Móvel, da Fundação Pedro Calmon, promoveu, neste domingo, mais uma Oficina de Cordel com o poeta Jotacê Freitas, no Parque da Cidade.

Tendo como tema a Consciência Negra, o poeta fez leituras de folhetos, contou história e ensinou as técnicas básicas do cordel para crianças através das quadras com o próprio nome e palavras de origem africana, estimulando o reconhecimento da identidade afro em nosso povo.

"A Revolta da Chibata / Dos Malês e Alfaiates / Foram provas decisivas / Pra acabar com o disparate / De que o Negro era covarde / Não partiu para o combate."

As crianças que participaram levaram folhetos de cordel para casa.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

ANO DA FRANÇA NO BRASIL EM FEIRA DE SANTANA 1



O CUCA - Centro Universitário de Cultura e Arte, da UEFS - Universidade de Feira de Santana, realizou na última quinta-feira a abertura da Exposição "Muitos destinos, uma só Bahia", na Galeria Carlo Barbosa e do lançamento de três cordéis dos poetas baianos Franklin Maxado, Jotacê Freitas e Antonio Barreto, em homenagem ao Ano da França no Brasil.

Participantes do Projeto Sacatar, os artistas franceses também traduzem essa relação através de pinturas, fotografias e esculturas. São eles: Dany Leriche, Étienne Yver, Jean-Marc GODÈS, Sophie Préveyraud e Louis Pavageau, este último, falecido recentemente, tem uma das suas obras ilustrando a capa do folheto "A Influência da França do Cordel Brasileiro", de autoria de Franklin Maxado.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL EM FEIRA DE SANTANA 2


Os poetas Antonio Barreto, de Santa Bárbara; Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim; e o anfitrião Franklin Maxado, de Feira de Santana; estiveram presentes autografando os livros, enquanto a dupla de repentistas Lucas de Oliveira e Zé Francisco, e o cantador da Zona da Mata, Sapiranga, encantavam o público com seus versos e melodias.

Estiveram presentes diversos artistas, poetas e autoridades.

domingo, 25 de outubro de 2009

O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 1

Para aqueles que acreditavam que na Bahia, dos coqueiros, da Mãe Preta e do Pai João,o repente está morrendo, mais uma vez os repentistas baianos mostram sua força e alegria de criar através de uma das artes mais antigas da humanidade, a poesia. “Quer ir mais eu vamos, quer ir mais eu, ‘bora!”

O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 2


Aconteceu no dia 24 de outubro, sábado, a partir das 20 horas, o IX FESTIVAL DE VIOLEIROS E REPENTISTAS DE SALVADOR, em homenagem a Papada e com apoio da FPC, OBPLC e Sindicato dos Comerciários, no Espaço Cultural dos Comerciários, em Nazaré. Paraíba da Viola, atual presidente da Ordem dos Poetas da Bahia, iniciou falando das dificuldades para a realização do evento e da condução da bandeira do Cordel na Bahia, que não é uma tarefa só dele, mas de todos os poetas.

O REPENTE DA BAHIA NÃO MORREU NEM VAI MORRER. 3



Bule-bule assumiu o comando do evento para que Paraíba participasse da peleja. Com sua costumeira animação anunciou os membros da comissão julgadora e enumerou as duplas concorrentes aos 10 Troféus expostos na mesa. Participaram do evento, as seguintes duplas:

Caboquinho e João Ramos; Zé Pedreira e Leandro; Antonio Queiroz e Beija-Flor; Paraíba da Viola e Davi Ferreira; Nadinho e Antonio Maracujá; Bráulio Pinto e Rui Aboiador; e, Zé Francisco e Lucas de Oliveira. A festa foi finalizada com o Grupo de Samba Raízes do Sertão.

sábado, 17 de outubro de 2009

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 1

Às 18 horas, os poetas estavam a postos. Conversaram com os leitores e cumprimentaram velhos e novos amigos, familiares e colegas. Clarindo Silva, o anfitrião da Cantina da Lua, nos passou um caldo histórico sobre o Patrimônio em que estávamos e serviu ao público presente uma ‘canja’ dos 3 poetas baianos.

O ANO DA FRANÇA NO BRASIL NO CORDEL BAIANO foi um sucesso. O cordel e a cultura francesa despertam interesses nas mais diversas pessoas.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 2

O poeta Franklin Maxado “Nordestino” foi o primeiro a subir ao palco. Mandou ver no seu conhecimento sobre a cultura francesa e até ensinou uma tradicional canção infantil francesa com direito a coreografia e tudo. No seu folheto INFLUÊNCIA DA FRANÇA NO CORDEL BRASILEIRO ele nos mostra em septilhas que “Mesmo tendo batalhado / Por séculos a leitura, / o Cordel na França teve / Sujeito a cruel censura / De Napoleão III / Que proibiu o livreiro / De escrever com feitura.”

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 3


Em seguida, Jotacê Freitas falou da influência do comediante Molière em sua arte teatral e poética justificando o título do seu folheto: “NA ESCOLA DE MOLIÈRE, POQUELIN FOI PROFESSOR”. Em seus versos, o poeta narra a peça “ESCOLA DE MULHERES” e revela um pouco da ‘filosofia’ de Molièrie: “Endireitar esse mundo / É uma loucura sem par / O mundo não tem mais jeito / E não há o que mudar / Deixa ele seguir em frente / Pra ver onde vai parar.”

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 4

Antonio Barreto agradeceu a presença dos convidados e dos freqüentadores da Cantina da Lua, desculpou-se por estar sem condições de falar muito, em função de uma virose, mas trouxe de presente um cantador de chula, Carlinhos Boca, de Santa Bárbara, pra levantar o astral dos presentes com a cultura baiana de raiz. Em “DETALHES DA REVOLUÇÃO FRANCESA EM VERSOS DE CORDEL”, o poeta ressalta a importância desse evento para a humanidade. “Das grandes revoluções / De caráter social / A Revolução Francesa / Foi um referencial / De mudança pioneira / Muito mais que alvissareira / Na História Universal."

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 5


A solenidade de lançamento foi encerrada por Elizeu Moreira Paranaguá, poeta e produtor do evento, analisando a importância cultural da união França-Brasil e de como o cordel é importante não só para a cultura brasileira.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 6


Como não poderia deixar de ser, muitos poetas estiveram presentes e uma foto conjunta foi necessária para exibir com orgulho a força e a renovação do CORDEL BAIANO. Gilmara Cláudia, Luiz Natividade, Zaia, Franklin Maxado, Jotacê Freitas, Creusa Meira, Rutinaldo, José Walter Pires e Antonio Barreto.

ANO DA FRANÇA NO BRASIL 7


Poetas amantes do cordel e dos cordelistas também marcaram presença no lançamento e brindaram com cravinho esse evento literário tão raro em nossa Salvador. O Xilogravurista Luiz Natividade e os poetas Gilberto Teixeira e Douglas Almeida. Marcaram presença também, os poetas Geraldo Maia, Boa Morte, Osmar Machado e Wladimir Cazé que foi se despedir do turma pois segue pra Vitória com a benção do Espírito Santo.

Bernardo Almeida, poeta, jornalista e videasta, com sua camêra Sony registrou cada detalhe da festa, à sua frente os poetas Creusa Meira e Rutinaldo; e ao fundo Elizeu, dirigindo a cena.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

FRANÇA REUNE POETAS BAIANOS

Os poetas Franklin Maxado, de Feira de Santana; Antonio Barreto, de Santa Bárbara; e Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim, foram provocados pelo poeta Eliseu Moreira Paranaguá a se inspirarem na cultura e história francesa para escreverem folhetos em homenagem a esse país que tanta influência já teve sobre o mundo e neste ano, 2009, está sendo comemorado o ano da França no Brasil.

Os folhetos serão lançados na sexta-feira, 16/10, a partir das 18 horas, na CANTINA DA LUA, no PELOURINHO.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A MÉTRICA


A MÉTRICA ou medida, é o tamanho do verso, que geralmente é de 7(sete) sílabas, contando até a última sílaba tônica. Exemplo:

BA TA TI NHA QUAN DO NAS CE
1 2 3 4 5 6 7 8
ES PAR RA MA PE LO CHÃO
1 2 3 4 5 6 7
CAR RE GO PA PAI NO BOL SO
1 2 3 4 5 6 7 8
E MA MÃE NO CO RA
ÇÃO
1 2 3 4 5 6 7

Essa medida permite ser cantada em ritmo de repente, embolada, forró, funk, samba e até rap.

Existem outras medidas, a utilizada acima é heptassílaba. Existem ainda a Decasílaba(10 sílabas); Hendecassílaba (11 sílabas); e Dodecassílaba(12 sílabas). Estas medidas são mais usadas pelos violeiros repentistas.

OLHA A RIMA QUE DÁ

A RIMA é a principal característica do cordel. Rima é o som parecido que as palavras possuem no final e é dividida em:
RIMA SOANTE, consoante ou consonantal em que a semelhança tem quer ser nas vogais e nas consoantes. Exemplos: existe/triste – panela/janela – João/mamão – Ana/banana – Raquel/pastel – Ivo/vivo. Esse tipo de rima é a exigida pelos tradicionais repentistas.
RIMA TOANTE, assoante ou vocálica em que a semelhança está apenas nas vogais tônicas. Exemplo: ovo/bobo – novo/fogo – estrondo/sonho – cinza/restinga – tormento/vertendo. Esse tipo de rima é praticada eventualmente pelos poetas contemporâneos e é discriminada pelos conservadores
.

ESQUEMAS RÍMICOS

A ordem vale para Quadra, Sextilha e Septilha, as mais usadas na Literatura de Cordel:

SALTEADAS: X A X A – X A X A X A - X A X A B B A
CRUZADAS: A B A B – A B A B A B – A B A B C C B
EMPARELHADAS: A A B B – A A B B C C – A A B B C C B


As letras repetidas significam que as rimas se repetirão nessa sequencia ou esquema. O 'X' significa que não tem rima, ou seja, o verso é branco.

O poeta que optar por uma das formas deve usá-la até o final do folheto.

Existem outros esquemas rímicas e cada poeta pode criar o seu, desde que haja uma musicalidade agradável aos ouvintes.

ESTROFAÇÃO

A forma das estrofes, os conjuntos de versos, mais utilizadas são:

QUADRA – com 4 versos e rimas nos versos pares, foi muito usada no passado e hoje está restrita a atividades pedagógicas.
SEXTILHA – conjunto com 6 versos ou pés.
SEPTILHA – conjunto com 7 versos ou pés.
DÉCIMA – conjunto com 10 versos ou pés.


O poeta que optar por uma das formas deve usá-la até o final do folheto.