A FELITA – Feira Literária de Itabuna, realizada dias 4 a 7
de dezembro, na AFI – Ação Fraternal de Itabuna, foi um marco para uma terra
que gestou tantos escritores. Esta primeira Feira teve Adonias Filho como
patrono em comemoração ao seu centenário. Debates, entrevistas, lançamentos de
livros, oficinas de criação, recitais, música, contação de histórias e stands
de editoras incrementaram o final de semana cultural “na terra onde nasceu
Jorge Amado”.
Jotacê Freitas realizou uma oficina de cordel. |
Os temas foram os mais variados: do papel da igreja
progressista na redemocratização até a Literatura Baiana hoje; da História
Social da Bahia à Literatura de Cordel contemporânea; da invenção da poesia às
literaturas divergentes; da vida e obra de Adonias Filho ao tempero da comida
baiana de Jorge Amado, presenteada por Paloma Amado que fez questão de
prestigiar o evento com afetivo respeito à cidade que tem seu pai como símbolo.
Elton Magalhães lançou cordel e bateu papo com a plateia. |
No decorrer dos debates oficiais, de bastidores e de mesas
de bar as opiniões convergiram para a constatação de que a atual literatura
baiana não está em lugar nenhum do Brasil, ou seja, o destaque é ínfimo. Muitas
publicações de qualidade são lançadas por pequenas editoras mas ficam restritas
aos locais de produção. Mesmo sabendo da
importância de sermos universais em nossa aldeia e da necessidade de
fomentarmos a cadeia local do livro, o escritor deseja ser lido pelo mundo
inteiro, seja por vaidade, pretensão, síndrome de genialidade ou qualidade, mas
o público leitor, peça imprescindível na cadeia produtiva do livro, está cada
vez mais escasso. O crescimento do mercado depende do aumento do número de
leitores.
A plateia atenta no Espaço Orfeu enquanto Luiz Natividade desenha mais um rosto. |
Falou-se muito em formação de ‘público leitor’ e de que a
educação seria a saída para fomentar este crescimento, mas a própria educação
tem utilizado muito a ‘virtualidade’ eletrônica e a ‘leitura’ soçobra neste
embate pois os meios ‘sociais’ virtuais utilizam mais o áudio visual fazendo
com que seus ‘usuários’ considerem a ‘leitura’ algo ultrapassado e cansativo.
Como estimular a leitura diante dessa realidade? Esta é a pergunta que nos
faço.
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