quinta-feira, 26 de outubro de 2017
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
BULE BULE - 50 ANOS DE CORDEL BAIANO
“ produziu vários folhetos em cordel para a Telebahia e um
anúncio comemorativo dos 15 anos do Ministério das Comunicações com o título “ O
causo do jegue que se aposentou por causa do minicom “,[...] “
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ESCRITA POR NELSON CADENA DIA 13/10.
O cidadão, Antonio Ribeiro, completa 70 anos comemorando seu nível de creatinina de criança e o poeta, Bule Bule, 50 anos de carreira artística bem sucedida.
LEIA MATÉRIA COMPLETA NO 'A TARDE' ESCRITA POR CHICO CASTRO JR DIA 29/8, CLICANDO NA IMAGEM ABAIXO
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sexta-feira, 29 de setembro de 2017
X FEIRA DO LIVRO DE FEIRA DE SANTANA
A 10ª Feira do Livro de Feira de Santana fortalece a Literatura
de Cordel nos meios educacionais. A programação vai de 26/9 a 1/10, ocorre em
vários pontos da cidade e há até a Praça do Cordel Genival Corrêa.
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| Os mestres, Franklin Maxado e Chico Pedrosa, são parte da história viva do cordel. |
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| Luciano Ferreira, Romildo Alves e Marco Haurélio. |
Animadores, filmes, teatro, dança e contadores de histórias
tentam distrair o público nos intervalos das atrações. A Literatura de Cordel marca
presença com o ABC da Feira do Livro, de Romildo Alves e Luciano Ferreira; Conversa
com o Escritor Marco Haurélio; apresentação de estudantes na Praça do Cordel; Franklin
Maxado mostrando As Novas Tendências do Cordel e as Desconversas de Políticos;
Romildo Alves Sertanejando nas trilhas da história e atropelando um poeta;
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| Jurivaldo Alves, Janete de Lainha e Luiz Natividade. |
Luciano Ferreira com A Arte de Brincar: brincando e falando sério com o Cordel na Bahia; Luiz Natividade com a Performance da (ISO)gravura e uma declaração de amor a Salvador; Chico Pedrosa com sua dicção perfeita; Janete Laínha floresce sua poesia em antologia; Jurivaldo Alves, sempre dando um aula na sua banca, com a filha Patrícia Oliveira lança A saga das irmãs cangaceiras.
PROGRAMAÇAO COMPLETA
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
CORDEL BAIANO ELETRÔNICO: eCordel
A presença da Literatura de
Cordel no século XXI deve-se muito à sua adaptação aos meios de comunicação de
acordo com as possibilidades de cada época. Foi oral, cantado, manuscrito,
impresso em tipografias, offsets, mimeógrafos, Xerox, impressoras domésticas a
laser, jornal, rádio, LP, televisão, CD, DVD, computador e internet.
Reforçando mais ainda esta
presença na contemporaneidade, sem carrancismos ou preconceitos, lançamos em formato
e-book os livros: BAIANICES, BAIANADAS E BAIANIDADES – VOLUMES 1 E 2,
plataforma Kindler, à venda no amazon.com.br
Para saber mais, clique nas
imagens!
VOLUME 1: O pastor que virou
acarajé!, Os vereadores fujões!, O buraco do metrô !, Estudantes da Bahia dão
lição em professor !,Iemanjá foi embora com um turista francês !,Mudo falou
demais e causou um arrastão !,Quando o Bahia for D o Vitória vai fazer o Curso A !,O velho que
comprou uma mulher na feira !,O negão que se deu bem !,Os gays que quebraram o
pau numa praia da Bahia !,A baleia que encalhou no dia da Parada Gay !, O padre
que deu o santo na Igreja da Lapinha!, A garota de programa que se entregou a
Jesus !,Corrente da viadagem causou confusão em bar !,Os dentes da galinha !,A
briga da besta com o buzu !.O baba em que Bobô babou!.O guarda que deu pra trás
!, O tabaréu que comprou um pé de arranha-céu !,O prefeito que arrancou o pau
dos velhos ! e Colorido comeu crua a fogueira do Prefeito !
VOLUME 2: O jumento que entrou na faculdade !, Fui roubado e
não dei queixa pois sei que jeito não tem !, Vão matar o Velho Chico para regar
o Sertão !, O pau comeu na Feira-do-pau !, A invasão dos Et’s lá em Senhor do
Bonfim !, A picadura do mosquito !, A mãe que assou a filha numa boca de fogão
!, A mijada do baiano derruba concreto armado !, O cão que levava o dono pra
fazer cocô na rua !, Ouvido virou penico nas cidades da Bahia !, O maconheiro
que falou com Deus!, A mulher que trocou o marido por um computador !, O prazer
que o peido dá !, Homem que mija sentado dá mais prazer à mulher !, Otoridade
baiana mete bronca em Pefem !, O embate emblemático entre Cuíca e Rodolfo no
Elevador Lacerda !, A mulher que virou homem pra libertar o Brasil !, O que
Dedê deu no beco só a Tâmara sabia!, Bin Laden não morreu, foi pro São João de
Bonfim !, A entrada de ACM no panteão dos Orixás ! e ABC das doenças curáveis
com mudança de atitude !
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domingo, 6 de agosto de 2017
domingo, 16 de julho de 2017
CORDEL BAIANO ESGOTADO!
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| Clique na imagem para conhecer o projeto. |
INFORMAMOS AOS LEITORES QUE AS 100 CAIXAS PRODUZIDAS PARA ESTA PROMOÇÃO ESGOTARAM-SE! AGRADECEMOS O SUCESSO A VOCÊS QUE NOS VISITAM E AMAM A LITERATURA DE CORDEL! OBRIGADO!
p.s.: Em breve proporemos uma nova promoção. Aguardem!!!
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segunda-feira, 3 de julho de 2017
CORDEL BAIANO AO VIVO
O poeta e professor, Elton Magalhães, retomou o seu projeto Leituras de Cordel ao Vivo no FACEBOOK. Dia 30/6, última sexta-feira, ele apresentou o folheto: PARA MUDAR O BRASIL TEMOS QUE MUDAR O POVO! de Jotacê Freitas. Os interessados em apreciar a leitura clique na imagem ou visite o Facebook de Elton Magalhães.
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sábado, 27 de maio de 2017
OTORIDADE BAIANA METE BRONCA EM PFEM
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sexta-feira, 26 de maio de 2017
A CHEGADA DE MICHEL TEMER NO INFERNO!
O poeta, Valdeck Almeida, editor e produtor cultural, costuma jogar suas rimas em nossos peitos como se fossem uma GALINHA PULANDO. Seus habituais leitores estão acostumados, quem não o conhece se assusta. Clique na imagem dos capetas, sem medo, para ler o poema completo.
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domingo, 21 de maio de 2017
sábado, 20 de maio de 2017
CORDEL BAIANO POR DIRETAS JÁ!
Mais um petardo do poeta João Augusto. Interessados em ler na íntegra este cordel manifesto, escrevam para joaoroch@gmail.com:
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sábado, 13 de maio de 2017
CORDEL BAIANO NA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Em 2006, o
poeta Jotacê Freitas lançou o folheto “O DEBATE ENTRE LULA E FREI BETTO NA
PORTA DO PURGATÓRIO”. Nesse cordel ele relata de forma irônica a saída do Assessor
Especial do ex-presidente logo após as primeiras denúncias de corrupção em seu
governo. Os fatos que envolviam Luis Inácio foram comentados no livro “A MOSCA AZUL” publicado por Frei Betto no mesmo ano pela Editora Rocco.
Em 2010, o
poeta Jotacê editou uma coletânea intitulada “TETRALOGIA LULÁSTICA”, com o
folheto acima e mais outros três: “LULA ENCHEU A CARA E BRIGOU COM AMERICANO”, “LUÍS
INÁCIO DA SILVA, O HOMEM QUE NÃO SABIA” e “O CASO ESCANDALOSO DA MÃE DO PAC COM
O FILHO DA LUTA”. O livro foi lançado com bastante sucesso na Bienal do Livro
da Bahia em 2011.
Uma mostra
de que o Cordel Baiano é um livre relator da história contemporânea do Brasil.
Vale a pena ler, basta clicar na imagem.
sexta-feira, 5 de maio de 2017
A LUTA É CONTÍNUA PARA O CORDEL BAIANO!
Os poemas de João Augusto são verdadeiras granadas na luta
em defesa dos direitos dos trabalhadores, seguem abaixo alguns estilhaços do
seu novo folheto. Os interessados em conhecer na íntegra devem escrever para
jrjoaoroch@gmail.com:
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terça-feira, 2 de maio de 2017
A REALEZA DO CORDEL BAIANO
Prestes a completar 70 anos de vida e 50 de carreira, Bule Bule foi homenageado neste domingo pelo jornal A Tarde na revista Muito. Para ler a matéria do jornalista Eron Rezende clique na foto abaixo:
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
PRESTÍGIO PARA O CORDEL BAIANO
O poeta Antonio Barreto foi entrevistado no programa ASSEMBLEIA LITERATURA pelo também poeta e apresentador Claudius Portugal. Além de traçar um histórico da Literatura de Cordel como arte poética e comunicativa, Barreto fala de sua vida, obra e práticas educacionais tendo o Cordel como ferramenta pedagógica. Vale à pena assistir, basta clicar na foto abaixo:
VISITE O BLOG DO BARRETO: https://barretocordel.wordpress.com/
sexta-feira, 31 de março de 2017
HOMENAGEM JUSTA AO CORDEL BAIANO!
Mesmo com dúvidas sobre sua data de nascimento, Rodolfo Coelho Cavalcante, foi um grande poeta e tem uma obra que merecia uma edição antológica. Sua vida inteira, desde os 13 anos, foi dedicada à arte. Trabalhou de palhaço de circo e propagandista por todo o Nordeste até parar na Bahia para plantar e colher poesia. Clique na imagem para mais detalhes sobre o filme: Suspiros de um trovador.
sábado, 11 de março de 2017
CORDEL BAIANO LESADO?
Quatro anos
após lançado, o DVD Voz Talismã, de Margareth Menezes, que tem em seu
repertório a canção ‘Akará’, do poeta santamarense, Antonio Vieira, não rende
direito autoral para a viúva do autor, Coracy Vieira. Vieira, faleceu em 2007, foi
o renovador da musicalidade do cordel nos anos 80 e 90, famoso pela criação do “Cordel
Remoçado”. Coracy, detentora dos direitos da obra, tem procurado a produção da
artista e não tem encontrado retorno favorável à sua reivindicação. Acredito
que Margareth Menezes não tem conhecimento deste fato. Para saber mais detalhes
e ouvir a música, clique aqui.
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sábado, 4 de março de 2017
CORDEL BAIANO A GRANEL
Acatando a sugestão de leitores, lançamos no comércio
virtual a caixa CORDEL A GRANEL – Antology Box. Assim mesmo, com subtítulo em
inglês, pra decepção de Ariano, provocação aos puristas e alegria dos
internautas. É uma antologia com 10 folhetos contendo narrativas medidas e
rimadas, escritos na primeira década do século XXI, relembrando um Brasil
displicente e irônico com suas mazelas e seu povo. Adepto da verve cuicana,
Jotacê Freitas discorre sobre temas diversos, sempre ligados à atualidade.
Para quem gosta de rir e pensar! Tem como bônus o folheto A HISTÓRIA DO CORDEL
SEM MAIORES PORMENORES!
O quê?
CORDEL A GRANEL – ANTOLOGY BOX
Quanto?
R$ 25,00
Como?
TEF – BRADESCO AG 2425 – CC 40953-7
Onde?
Prazo?
3 a 7 dias.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
CORDEL BAIANO METENDO A BRONCA
Nosso amigo, João Augusto Rocha, é um dos mais combatentes poetas da atualidade. Sempre contundente em seus poemas, ele desmascara o cinismo dos nossos políticos que nos fazem de bobos da corte. Quem tiver interesse em ler mais, escreva para jrjoaoroch@gmail.com
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| Trechos do folheto: O RETRATO DE DORIA GRAY, 2017. |
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terça-feira, 31 de janeiro de 2017
CORDEL BAIANO NA ABLC
Fui
chamado de ‘bairrista’ por só tratar de Cordel Baiano neste espaço. Antecipo os
objetivos no perfil do aplicativo, não me sinto discriminado. No PEPLP-UFBa (
Programa de Estudos e Pesquisas da Literatura Popular) e posteriormente na
Comissão Baiana de Folclore, ambos orientados por Doralice Alcoforado, professora
e pesquisadora, aprendi que a Bahia não tem seu Cordel reconhecido na mesma
proporção que a sua qualidade literária e histórica. Acredito que a canonização, tanto de homens ‘santos’ como de
obras de arte, quem determina é o povo, o público, o leitor. Sociedades,
agremiações, confrarias, clubes, academias, críticos e editores servem mais
para fortalecimento daquela prática a qual se propõem a ‘preservar, valorizar,
difundir e divulgar’. Não quero aqui meter o bedelho onde não estou sendo
chamado, mas a quem caberia esta responsabilidade? Ao poeta, ao
sindicato, ao governo, às bibliotecas?
Por aqui, Rodolfo Coelho Cavalcante, lutou
muito nos anos 40 a 70 pela organização da classe cordelística na Bahia e no
Brasil, com amigos fundou a OBPLC – Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura
de Cordel, dirigida posteriormente por Bule-Bule e Paraíba da Viola, com sede
em uma barraca que virou ponto de apoio, vendas e apresentações na praça do
Elevador Lacerda. A poeta Zuzu Oliveira dirige a Ordem atualmente em busca de
renovação e novos apoios pois a sede foi retirada da praça pela prefeitura em
2013 e até o momento não foi substituída ou realocada.
Visitei
a ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro. Conheci
o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da instituição; sua esposa Mena,
a Madrinha dos Poetas. Adquiri uma obra prima, 100 CORDÉIS HISTÓRICOS SEGUNDO A
ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL, em 2 volumes, tamanho 30x20cm, com
as capas em fac-símile de todas as
obras, patrocinada pela Petrobras e
publicada em 2008, “destinada a preservar parte significativa da cultura
brasileira” conforme Francisco da Silva Nobre; organização e curadoria do
próprio Gonçalo.
Por
ser este um blog escrito por um
baiano com o intuito de debater a nossa produção, procurei a produção baiana na
referida antologia. São 100 poemas escritos por 41 poetas de 9 estados do
Norte/Nordeste. Destes, apenas um é da Bahia: “O ENCONTRO DE LAMPIÃO COM
DIOGUINHO”, de Antonio Teodoro dos Santos, ‘O garimpeiro”, natural da cidade de
Jaguarari. A coleção conta com a produção de 15 paraibanos, 11 pernambucanos, 3
potiguares, 2 alagoanos, 2 cearenses, 1 paraense, 1 piauiense, 1 sergipano e 4
com naturalidade desconhecida. Esta edição “é um marco histórico e indelével
para a ABLC, para as letras brasileiras e para a própria latinidade”, palavras
do Mestre Gonçalo que endosso. Ele antecipa que ‘não foi justo na visão de
muitos e que foi difícil escolher apenas 100 de um rico acervo de cerca de 13
mil”.
A
equipe organizadora mostra a importância histórica e literária destes poemas
nas apresentações constantes no livro. A curadoria optou por incluir apenas
autores mortos “pois eles não têm outro processo para reeditar seus trabalhos”,
e que nasceram entre 1848 a 1928. Organizar uma antologia não deixa ninguém
felicíssimo, muito pelo contrário, a exclusão de alguém pode causar atritos
artísticos e pessoais entre os envolvidos e seus interessados. Sem tartamudear,
mas respeitando os critérios, senti falta de Cuíca de Santo Amaro, que se
encaixaria neste recorte. O brincante pernambucano, Antonio Nóbrega, em seu
texto de apresentação, lembra a figura icônica do poeta baiano nas imagens de
Pierre Verger na revista O Cruzeiro como um destaque nacional.
A nossa Literatura de Cordel também tem seus ‘bestsellers’, seus cânones, seus
autores consagrados, assim como todo e qualquer gênero literário com seus clássicos,
pastiches, auto-ajudas, fantasias e amores. Falta-nos, para nos equipararmos à
literatura oficial, uma classificação por escolas e/ou estilos; temos
classificações temáticas, mas não seria difícil estabelecer paradigmas para uma
taxonomia mais erudita. ‘Mas o que temos com isso?’
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| Eu, Gonçalo, Walkíria e Mena. |
Os poetas populares seriam sempre populares ou
populistas? As instituições cumprem o seu papel de estabelecimento de normas e
padrões. Busco uma poesia com “sangue novo e elementos deveras salutares”, como
diria o grande Antonio Vieira, de Santo Amaro da Purificação, com seu Cordel
Remoçado, uma blasfêmia para uns e arte para tantos outros.
Gonçalo
Ferreira, a princípio criticado pelos próprios colegas, foi vítima de diversas
chacotas versadas em desafios de repentistas na conceituada Feira de São
Cristovão, berço da cultura nordestina no Rio de Janeiro. Os populares não
precisam de organização, consagração, conservação e motivação? Sua perseverança
e persistência demonstraram que estava no caminho certo, a Academia não seria
apenas um celeiro de egos, mas de preservação, divulgação e estímulo à leitura
e à produção do cordel. Ele relata
com satisfação as críticas que sofreu quando iniciou a campanha para a fundação
do órgão, que seria melhor juntar-se com Drummond, Vinícius de Moraes, Castro
Alves, Gonçalves Dias e outros clássicos, era o conselho que recebia.
A representatividade da ABLC como entidade de classe é notável no Brasil
pela adesão da maioria dos poetas em atividade. O critério para escolha dos membros é “por meio
de votação em escrutínio secreto” e que 25% das cadeiras é para os não
residentes no Rio. No panteão da ABLC figuram pessoas jovens e maduras, com
vasta e pequena produção poética, com muita experiência de estrada e iniciantes
iniciados na própria Academia. É uma variedade de estilos e temas que encantam
os leitores, amantes e praticantes desta arte que vem atravessando os séculos
com pecha de ‘literatura barata’, sem valor canônico, mas que tem demonstrado
em estudos sua importância literária e influência nos autores considerados
consagrados em toda a literatura universal.
A
pesquisadora, Ana Carolina Carvalho, declarou ao O Globo em 2015, num artigo
sobre o Cordel Carioca, objeto de seu estudo, “que apesar de não terem retorno
financeiro, (os poetas) insistem em
escrever. É como se eles se sentissem cotidianamente desafiados a versificar o
mundo.” Neste mesmo artigo, do jornalista Emiliano Urbim, Moraes Moreira
relembra, na ocasião de sua posse na ABLC, a influência de seu irmão Zé Walter
na sua caminhada no mundo do Cordel. Moraes temia os preconceitos, foi bem
aceito e visto como prestigiado divulgador do Cordel.
Das
40 cadeiras disponíveis na ABLC, Rodolfo Coelho Cavalcante é o patrono de uma
delas. Atualmente 5 cadeiras são ocupadas pelos baianos Bule-Bule, Marco
Haurélio, Moraes Moreira, Varneci Nascimento e Zewalter Pires. Não faço aqui
campanha por minha inclusão numa cadeira, sou do Clube do Grouxo Max e não é permitido
filiação a agremiações que nos aceitem como sócios. Sugiro aqui o nome de
Franklin Maxado ‘Nordestino’ à próxima vaga na ABLC pela importância e
qualidade literária e gráfica das suas publicações, pois também é xilógrafo.
Não sei se ele tem interesse, mas para o Cordel da Bahia seria um prestígio
necessário para a difusão de nossa produção com os que lá estão.
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