A Biblioteca Infantil Monteiro Lobato realizou o 3º Encontro
de Cordelistas no último domingo, 29/12, em sua sede em Nazaré. A dirigente,
Rosane Rubim, iniciou os trabalhos convidando os poetas presentes para uma roda
de conversa na presença de uma platéia formada por crianças, jovens e adultos.
Anunciou a homenagem ao cordel por sua importância cultural e a ligação dos
poetas com a instituição. A Monteiro Lobato foi a primeira biblioteca pública a
montar uma cordelteca em Salvador e a inaugurou durante o 2º Encontro de
Cordelistas em 2011.

Franklin Maxado Nordestino, poeta e artista plástico, não
necessitou de apresentações. Falou da sua alegria por estar entre jovens
leitores e autores e ao lado de amigos de luta na manutenção da resistência do
cordel baiano. A trajetória de Franklin perpassa a história da Literatura de
Cordel no Brasil, de Feira de Santana ao eixo Rio-São Paulo, feiras livres e
livrescas, em todo o Norte e Nordeste, América Latina e Europa; com a
experiência de ter publicações lançadas na França, Japão e Portugal, Maxado é
um ícone para as novas gerações. Para o encontro ele levou seu repertório atual
com cerca de 50 títulos de uma obra com mais de cinco centenas de folhetos,
livros e xilogravuras.
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CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA BARRETO E RAISA CANTANDO O CORDEL EM PARIS. |
Em seguida, Elton Magalhães, também professor de literatura,
exaltou a importância da leitura, da biblioteca e do cordel para a sua vida.
Natural de Castro Alves, nascido no mesmo dia em que nasceu Leandro Gomes de
Barros, Elton é um poeta urbano, do asfalto, que qualifica o cordel baiano no
mesmo patamar da produção nacional.
Antonio Barreto é um grande incentivador destes encontros e
participa de projetos junto à biblioteca. Declamou cordel, interagiu com as
crianças e, como bom professor, deu uma aula estimulando a leitura e a produção
literária. Expôs, junto a outros folhetos, o pitoresco APELIDOS Y APELIDOS DO POVO DE SANTA BÁRBARA e o francês L'ARRIVÉE DE PAUL ZUMTHOR AU ROYAUME DE L'INFINI uma tradução para o francês do cordel A CHEGADA DE PAUL ZUMTHOR NO REINO DO INFINITO, realizada pela franco-brasileira Raisa França Bastos.
Neste cordel, Barreto, assume uma mediunidade literária e com ajuda de um
anjo-guardião, discorre sobre a
experiência criativa, vida e obra de Paul Zumthor, homenageado pela Universidade Nanterre - Paris 10 no seu Centenário. Finaliza agradecendo e elogiando os pesquisadores zumthorianos.

Zuzu Oliveira, matrona do cordel, fez sua carreira em feiras
e festivais de repentistas. É vice-presidente da Ordem dos Poetas de Literatura
de Cordel da Bahia e lamentou a falta de mais encontros assim, para falarmos
sobre cordel, nossas experiências e produções. Fez um convite para que ingressássemos
na Ordem, nos organizássemos e divulgássemos unidos em feiras e eventos
autônomos e afins.
A pesquisadora, Andrea Betânia, nos lembrou do projeto de lei
proposto pelo IPHAN para o tombamento do cordel e do repente como Patrimônio Imaterial
da Humanidade. Louvou a iniciativa da biblioteca e declarou sentir-se em casa
quando está entre cordelistas, pois além de ser seu objeto de pesquisa,
conseguiu criar laços de amizade com os poetas.
João Augusto chegou com a mala cheia de novidades: um novo
livro sobre Anísio Teixeira, selecionado entre os 10 melhores de 2015 pelo
Prêmio Jabuti; uma proposta de licença para o comércio de cordel em todas as
feiras do estado através da UPB; e reafirmou sua tendência a caçar e escrever
sobre lobisomens, ou melhor, lubizone, conforme registra nos cordéis O LOBISOMEM FILMADO EM SÃO GONÇALO DOS CAMPOS e O LUBIZONE QUE APARECEU EM BARROCAS.
Sempre apresentando histórias pitorescas baseadas em fatos
reais, envolvendo a si mesmo e seus amigos, Pilô, poeta e músico, nos brindou com
a historia NO TROTE DE KID e, após leitura, cantou à capela uma de suas novas canções
com letras anexadas ao folheto.
Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim, falou do
seu contato inicial com o cordel na feira, mas discorda de que atualmente este
seja o lugar dele, deixou de ser popular neste sentido, acredita que o rumo do
cordel passa pela escola em todos os níveis. Citou sua nova coleção Recordelizar
é viver,com relançamento de folhetos de ocorridos nos últimos quinze anos e leu
o folheto FUI ROUBADO E NÃO DEI QUEIXA POIS SEI QUE JEITO NÃO TEM!
Encerrando a roda de conversa, Creusa Meira, lembrou-se dos
encontros anteriores, da importância desse momento não só para os poetas mas
também para o público leitor que pode ter esse contato direto com seu autor
favorito. Reafirmou a importância da união da classe, citou seus poemas
políticos lançados na internet e encerrou sua participação lendo um cordel
infantil de José Walter Pires.
Presente também ao evento, Walkíria Freitas, artista
plástica, ilustradora de cordeis e arteterapeuta, elogiou os organizadores do
evento e leu um dos poemas do seu livro “Brincando de fazer poesia’.
Após tanto papo, foi a vez das crianças apresentarem sua
arte em um belíssimo sarau coordenado por Edna e a participação de Adriel, Erique,
Railane, Lavínia, Nívia ... Os pequenos
leitores e artistas leram e cantaram textos dos poetas presentes de forma segura
e cômica.
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Da esquerda pra direita: Franklin Maxado, Antonio Barreto, Pilô, Jotacê, Elton Magalhães, Creusa Meira, Rosane Rubim,
Zuzu Oliveira e João Augusto. |