sexta-feira, 11 de julho de 2014

CORDEL PROPÕE REFLEXÃO SOBRE AS TRADIÇÕES IDENTITÁRIAS

Uma das empresas patrocinadoras do São João bonfinense espalhou vasta propaganda na arena junina, no Parque da Cidade, alegando que “São João e tradição fazem um casamento bão” e não foi apresentado o tal ‘casamento’. A Capital Baiana do Forró e do Futebol, em ritmo de copa e copos está mais para festa de largo soteropolitana.
Consultando o dicionário Houaiss aprendemos que tradição é uma herança cultural, um conjunto de valores morais, culturais e espirituais, entre outros, passados através das gerações.

Há uma contradição em relação ao prometido com o realizado e os contraditórios são também contrariados e às vezes são do contra. A união dos opostos em benefício de um bem imaterial comum, a nossa cultura, será benéfica para a população que precisa conhecer a própria história e a diferença entre cultura popular e cultura de massa. Usar o “gosto” dos jovens como desculpa é insipiente, pois temos obrigação de educar os jovens. Clique na imagem acima para ler o folheto de cordel.

Foto: Walkíria Andrade F.
 A 1ª FEIRA DO LIVRO DO PIEMONTE NORTE DO ITAPICURU

Anunciada no panfleto oficial que divulga a programação da festa junina de Senhor do Bonfim, a 1ª Feira do Livro do Piemonte Norte do Itapicuru foi, sem nunca ter sido, uma verdadeira Feira. Uma série de desencontros e promessas de apoio não cumpridas impediram a plena realização do evento que funcionou improvisadamente apenas no segundo e terceiro dias, dos cinco programados. Estiveram presentes diversos escritores com sua produção literária: Dora Ramos, Paulo Tolentino, Renato Bandeira, Gustavo Teixeira, Edvan Cajuhi(com o acervo da ACLASB), Jotacê Freitas, os músicos Daniel Gomes e Zecrinha com CDs e a artista plástica Maria Cristina com uma exposição de quadros. Estavam à venda também livros de autores regionais, nacionais e internacionais.
O imprevisto me inspirou a compor mais três sextilhas para o cordel “A guerra de Zé do Contra...” :

O Casamento Matuto
Pra ele não tem valor
O Teatro é loucura
Que junta o riso e a dor
Zé do Contra é contra tudo
É contra até o amor.

Zé do Contra odeia livros
E os que gostam de estudar
Quanto mais analfabetos
Funcionais para usar
Zé do Contra se elege
Ao que se candidatar.

Zé do Contra é contra a feira
E a deixa entregue às traças
A de livros a de rua
A de arte de cabaça
E outras artes também
Não importa quem as faça.

domingo, 8 de junho de 2014

CORDEL BAIANO PARA DOMINGUINHOS

No dia 04/06, quarta-feira, a Rádio Sociedade da Bahia AM, realizou mais um sensacional concurso de Sanfoneiro, Cordelista e Repentista no Piso Central do Shopping Piedade, com transmissão ao vivo do evento que dá início às comemorações joaninas da emissora de rádio e do centro comercial. Desta vez os contemplados foram: Bilial do Forró, melhor sanfoneiro; Paraíba da Viola, melhor repentista; e, Clímaco Neto, o Pilô, como melhor cordelista.

Parabéns aos amigos vencedores que disputaram o concurso com mais de 20 inscritos. Sucesso à Rádio Sociedade pelo incentivo e difusão da nossa cultura. Acima você pode ler trechos do cordel: Brasileiro de Valor, de Clímaco Neto, em homenagem ao mestre Dominguinhos.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

CORDEL SOBRE MILTON SANTOS


O Programa de Pós-Graduação em Geografia, o Departamento de Geografia, e o Grupo dePesquisa: Produção do Espaço Urbano - PEU da UFBa, realizaram o I Concurso Literário Milton Santos. Este concurso, em caráter nacional, teve como principal objetivo a apreciação da obra do grande geógrafo baiano envolvendo Geografia e Literatura.
Antonio Barreto foi o vencedor em 1º Lugar na categoria Cordel. É o cordel baiano mostrando sua criatividade, competência e produtividade. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

O LOBISOMEM BAIANO

As tradições se reinventam e o Cordel segue seu destino de narrar também os fatos escabrosos que ocorrem em nosso mundo real, virtual e sobrenatural. Com a coragem de um caçador o poeta, João Rocha, convida a todos para o lançamento do seu mais recente cordel.
 Em mensagem enviada a amigos e convidados em geral ele chama a atenção de todos sobre telefonemas anônimos que tem recebido “de indivíduos que costumam virar lobisomem, afirmando que estarão presentes ao lançamento do cordel sobre o tal que foi filmado em São Gonçalo dos Campos, a partir das 10:00h da manhã, no dia 17 próximo (sábado), no bar de Jorge, situado dentro do Condomínio Parque Flamboyants, final da Av. Paulo VI, na Pituba. Na certa, este é um risco que sempre corremos, mas é da natureza das coisas.

           Soube até que está se esboçando um movimento ("Lobisomens contra a Copa"), formado em função de que as cidades ficarão mais iluminadas durante o mês de realização dos jogos, o que tornará mais difíceis as condições para a proteção da espécie, sujeitando-a ao vandalismo daqueles que não compreendem a diversidade como normalidade, nos tempos hodiernos. 
Compreendemos a situação, mas estaremos preparados para inibir qualquer transformação espalhafatosa e antinatural, durante o lançamento de nosso modesto cordel. Por precaução, no entanto, o SAMU será contactado para, em qualquer eventualidade, atuar adequadamente. Fiquem certos  de que estaremos preparados para o diálogo franco e tranquilo, qualquer que seja situação que venha a se apresentar.
            Temos, por sinal, um  opúsculo anterior sobre o "homo lúpus", também em versos,  em que tratamos exatamente dos direitos lobisômicos no contexto do regime semiaberto da globalização, que será levado para o lançamento.”

Vamos lá, com balas de prata, alguns patuás e dicas de Zé Walter Pires.

segunda-feira, 31 de março de 2014

FESTIVAL DOS CORDELISTAS 2014

O encerramento do Festival dos Cordelistas, na Praça Cayru, dentro das festividades do 465º aniversário da capital baiana, foi realizadao pelos irmãos João Ramos e Caboquinho, dupla de Feira de Santana, que provocou risos na plateia em todos os modos de repente numa peleja que começou ao meio-dia e encerrou-se apenas à 1 da tarde. Após o show, os artistas foram cumprimentados pelos amigos e poetas: Antonio Barreto, Luiz Natividade e Zuzu Oliveira.
                       
O Palco dos Cordelistas, montado na Praça Cayru para as apresentações dos repentistas, teve o patrocínio da Fundação Gregório de Mattos. A OBPLC - Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura de Cordel estava representada pelo presidente, Paraíba da Viola, que teve direito à uma bancada para vender folhetos.

terça-feira, 25 de março de 2014

REPENTISTAS BAIANOS VOLTAM À PRAÇA CAYRU

Os Repentistas baianos voltaram a ocupar a Praça Cayru e desta vez patrocinados pela Prefeitura que criou o Palco dos Cordelistas para apresentações do Festival dos Cordelistas. O evento faz parte do Festival da Cidade que celebrará os 465 da primeira capital do Brasil, a São Salvador da Baía de Todos os Santos. Os Repentistas se apresentarão de 25 a 29/03, sempre às 12 horas, na seguinte sequência: Paraíba da Viola e Lucas Evangelista; Bráulio Pinto e Sabiá; Antonio Queiroz e Davi Ferreira; Lavandeira e Zé Francisco; e Caboquinho e João Ramos. Bule-bule, além de Mestre de Cerimônias, lançou o livro "Um punhado de cultura popular".

Veja aqui a programação geral e prestigie a cultura baiana. Leia também matéria no jornal A Tarde.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O CORDEL VIVE EM FEIRA DE SANTANA

 Foi realizado neste sábado, 15/3, um recital poético no Mercado de Artes, em Feira de Santana, com a presença dos poetas: Franklin Maxado Nordestino, Jurisvaldo Alves, Antonio Barreto, Nivaldo Cruzcredo e Jotacê Freitas; e a artista plástica e ilustradora Walkíria A. Freitas. De forma itinerante os poetas circularam entre os boxes do Mercado cantando músicas nordestinas e convidando a todos para o evento.
 Na porta principal do Mercado de Artes o poeta, ator, compositor e artista plástico, Franklin Maxado, comemorando 40 anos de carreira artística fez a abertura da apresentação dos convidados que um a um foram declamando e lendo seus versos atraindo os transeuntes. Após o recital comerciantes, clientes e poetas reuniram-se nos boxes 63 e 64, os pontos do Cordel, e continuaram a brincadeira que recebeu as ilustres visitas do poeta Caboquinho e do Secretário de Cultura, Antonio Carlos, que prometeu um toldo e uma aparelhagem de som para o próximo evento.
 Franklin Maxado foi um sucesso com sua interpretação e comentários, envolvendo a plateia que gargalhava com seus versos de humor; Jurisvaldo, lembrou da função histórica do folheteiro e demonstrou alguns clássicos além de versos de sua autoria com a filha Patrícia; Nivaldo Cruzcredo, radialista da rádio Subaé, amante da cultura nordestina, fantasiado de vaqueiro, mostrou que não é só bom de papo mas de verso também; Antonio Barreto, com seu pandeiro e sua gaita foi o grande animador musical e conclamou a todas a comprarem os folhetos para que os poetas permaneçam ativos e produtivos; Jotacê Freitas, apresentou seus títulos e leu trechos de um dos seus folhetos.
 Na opinião dos poetas o recital foi positivo para mostrar ao povo feirense que o cordel continua vivo e seus poetas tem espaço garantido para vender e demonstrar sua arte, diferente da capital que fechou a única banca de cordel existente.
Torcemos para que eventos como este se repitam com o devido apoio e divulgação para que o povo feirense tenha acesso a esta cultura tão nossa e tão renegada.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

“Grupo protesta contra a retirada do cordel da Praça Cayru"

"Na manhã de sábado, 15/02, um ato convocado pelo coletivo Luto por Salvador promoveu “O enterro do cordel da Praça Cairu”. A intervenção teve como objetivo protestar contra a retirada da banca dos trovadores, existente há mais de 30 anos na praça localizada em frente ao Mercado Modelo.
De acordo com a SECOP, os cordelistas que atuavam no local foram considerados “vendedores ambulantes” e, por isso, foram retirados da praça em outubro do ano passado. No entanto, a banca é registrada na Ordem Brasileira de Literatura de Cordel, além de representar uma importante tradição da cultura popular nordestina."
No ato de sábado, o coletivo protestou não apenas contra a retirada dos cordelistas, mas também com a forma com que a prefeitura vem conduzindo suas diversas ações: sem dialogar e sem oferecer alternativas para os trabalhadores, majoritariamente de baixa renda."
“Quando ocorre o diálogo, é sempre após as ações autoritárias da prefeitura. Primeiro se retira os cordelistas, vendedores ambulantes, aumenta abusivamente o IPTU, destrói criminosamente a Favelinha. Depois, quem quiser que corra atrás da prefeitura com seu pires na mão, para reivindicar seus direitos ou buscar alternativas de trabalho.” – afirmou um dos manifestantes, que não quis se identificar."
 "No enterro promovido pelo coletivo, muitos transeuntes, turistas e vendedores ambulantes que circulavam pelo local manifestaram apoio ao ato. A intervenção que durou cerca de duas horas contou com recital, varal de cordel, além de um caixão que simbolizou o enterro.
“Enterramos simbolicamente o cordel, mas na verdade queremos ressuscitá-lo, já que ele foi enterrado pela política cultural que o prefeito ACM Neto e suas secretarias impuseram aqui. O cordel foi retirado de forma arbitrária, sem a mínima possibilidade de argumentar, desrespeitando toda e qualquer forma de representação cultural que o cordel tem na Bahia há mais de 40 anos, retirando a banca de cordel que Rodolfo Coelho Cavalcante se esforçou tanto para colocar aqui.”, afirmou Sérgio Bahialista, um dos cordelistas que participou do ato na praça Cairu.”

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Além da homenagem aos seus 70 anos em Feira de Santana, sua terra natal, Franklin Maxado "Nordestino", estará no Gabinete Português de Leitura, em Salvador, realizando a leitura do seu livro O QUE É CORDEL, dia 11 de dezembro, às 17 horas.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

OS MELHORES MOMENTOS DA XI BIENAL DO LIVRO DA BAHIA 2013

A grande festa do livro, da leitura, do escritor, do leitor, a XI Bienal do Livro da Bahia, transcorreu com sucesso de vendas e de público. O Espaço do Cordel foi uma das maiores atrações com os poetas e folheteiros presentes e dispostos a declamar seus versos a qualquer solicitação. Diversas regiões baianas estiveram representadas e a Praça de Poesia e Cordel abrigou 22 poetas em sua programação oficial, mas a literatura popular esteve presente também nas vozes de poetas de outras linhagens literárias.
 Na sexta-feira quem fez a abertura da festa foi Alberto Lima, bradando títulos, versos e soprando uma flauta transversal que deu um novo toque aos recitais e shows seguintes. Pilô Pires trouxe o misticismo da Casa da Magia, rimando seus versos em homenagem à cabaça, aos cristais, aos amigos e aos animais.
 No sábado, Sérgio Bahialista, poeta, professor e mestre em educação,  e Jotacê Freitas, fizeram mais uma vez a dobradinha de sucesso com seus cordéis urbanos satirizando o comportamento popular diante dos fatos corriqueiros e extraordinários da nossa sociedade.
                                  
No domingo, José Walter Pires, mostrou que erudição também pode ser cômica, lírica e popular. Creusa Meira defendeu sua postura feminista feminina com versos simples e conscientizadores. Sueli Valeriano o tempo inteiro defendeu a cultura da sua terra com mensagens ecológicas e saudáveis.

 Na segunda-feira, Jurisvaldo Alves, poeta e folheteiro, brindou a todos com o pouco da história do cordel e da vida do folheteiro, o movimentador do cordel no Brasil, além de lançar um romance em parceria com sua filha Patrícia Oliveira. Olliver Brasil deu um banho de interpretação com seus causos caipiras de rimas perfeitas. Osmar Machado, poeta consagrado no 1º Concurso Nacional de Literatura de Cordel da Funceb 2004, declamou seus martelos bem ritmados, no galope do cavalo na beira do mar. Neste dia, em outra sessão, o poeta Piligra, lá de Itabuna, leu cordel para todos, uma peleja de três e uma odisseia amadiana.


 Na terça-feira, todos os cordelistas ocuparam a Praça de Poesia em benefício do andamento da programação e o curador, José Inácio, convocou o alabaiano Luis Natividade e o cearense Abraão Batista para demonstrarem seus poemas até a chegada de Kitute de Licinho, direto de Irará. Vestido com gibão e chapéu de couro, este iraraense conquistou a plateia com sua comicidade durante as leitores de diversos folhetos.
                                   
Na sexta-feira, feriado da República, Franklin Maxado fez um show de cordel e foi mais que um bufão demonstrando uma lucidez clareadora em relação às manifestações ocorridas no país segundo semestre deste ano. Ele foi ladeado por Janete Lainha, de Ilhéus, ótima poeta e atriz excelente, que usou muito bem o pequeno espaço cênico para dramatizar suas rimas. Com uma visão libertadora do gênero feminino, Salete Maria, parabaiana, demonstrou com boa métrica e oração que a mulher pode tudo e muito mais.

O encerramento ocorreu no domingo. A confraria dos Antonios estava presente. Raquel e Alexandre Vieira, cantaram o clássico texto A PELEJA DA SABEDORIA POPULAR COM A CIÊNCIA, com direito a canja do netinho de Antonio  Vieira, o renovador do cordel no final do século XX. Antonio Barreto, declamou, cantou e inventou moda, de posse de um pandeiro e de uma gaita, criou o Forró de Boca, que animou o espaço durante os 10 dias de feira.



Ciceroneados pelo ator e apresentador Jackson Costa, Antonio Queiroz e Antonio Ribeiro, o Bule-bule, cantaram repentes de acordo com o gosto da plateia, fazendo a alegria de todos e deixando saudades. Quem falou pouco foi Zuzu Oliveira, grande poeta baiana, que resumiu todo o evento a uma simples frase: “-Esta foi a Praça mais animada da Bienal e deveria ser chamada de Praça da Alegria”.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CORDEL BAIANO NA XI BIENAL DO LIVRO DA BAHIA

Está sensacional a programação de leituras e recitais da Praça de Poesia e Cordel da XI BIENAL DO LIVRO DA BAHIA que tem início na próxima sexta-feira, 8 de novembro, no Centro de Convenções da Bahia. Serão 22 cordelistas contribuindo para Mil e um poemas em dez noites de poesia. Veja abaixo os dias e horários dos melhores poetas de cordel da Bahia.

8/11 - sexta-feira -  18 horas - Alberto Lima, Pilô Pires e Maysa Miranda
9/11 – sábado – 19 horas – Gilmara Cláudia, Jotacê Freitas e Sérgio Bahialista
10/11 – domingo – 18 horas – José Walter Pires. Sueli Valeriano e Creusa Meira
11/11 - segunda-feira – 20 horas – João Augusto, Jurivaldo Alves da Silva e Olliver Brasil

12/11 - terça-feira – 19 horas – Kitute de Licinho, Zezão Castro e Clóvis Pereira da Fonseca
15/11 - sexta-feira – 19 horas - Janete Lainha, Franklin Maxado e Salete Maria
17/11 – domingo –19 horas - Antonio Bareto, Zuzu Oliveira e Homenagem a Antonio Vieira por seus filhos Rachel Vieira e Alexandre Veira;  –  20 horas – Bule-Bule.

A Feira de Cordel funcionará nos mesmos moldes da Bienal anterior com barraquinhas no entorno da Praça de Poesia e Cordel onde os leitores poderão manter contato direto com os autores, ilustradores e suas obras em folhetos, livros e xilogravuras.                 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A HISTÓRIA DO MUNDO POR FRANKLIN MAXADO!

 Para os que esperam meras confissões de um experiente poeta, o livro CORDEL NA LITERATURA POPULAR, de Franklin Maxado Nordestino, é mais que um compêndio ou um tratado histórico,  desta arte universal que é narrar estórias e histórias com ritmos e rimas capazes de seduzir a atenção de ouvintes e leitores, é uma catarse verbal apaixonada e ideológica. São 114 tópicos onde estão sintetizadas as origens, os conceitos, as regras, a classificação, estrofes clássicas; 24 ilustrações de capas de folhetos, em xilogravuras e clichês diversos;  10 fotografias com amigos artistas e autoridades; e uma bibliografia vasta para pesquisa. Franklin relata também experiências, bem e maus sucedidas, abrindo o campo para os poetas que quisessem se arriscar na arte de sobreviver da arte, dando dicas e pioneiramente sugerindo caminhos para uma profissionalização da função que acabou sendo reconhecida recentemente pelo Congresso Nacional.
Falar de cordel é falar das epopeias, gestas, odisseias, narrativas épicas, jograis, pelejas, ABCs, repentes, cantorias cômicas ou trágicas, representando o povo de todas as partes do mundo. Portanto, conhecer a verdadeira história do Cordel é conhecer a história do mundo e da humanidade, pois através de versos, a princípio orais e posteriormente impressos, as pessoas se auto-conheciam e viam seus sonhos e anseios expressos numa linguagem acessível. 

Sucinto e objetivo na escrita da história da hoje conhecida Literatura de Cordel, o feirense Franklin Maxado, reviu e atualizou esta reedição potiguar, da Editora Queima-Bucha, anteriormente o livro foi lançado pelo Pasquim. Elegantemente didático, o texto não tem soberba nem síndrome de superioridade, como tentaram acusar o autor por ser jornalista e “doutor” advogado, quando ingressou no cordel encaminhado por Rodolfo Coelho Cavalcante, o poeta alagoano mais baiano do Brasil. No livro A NOITE DOS CORONÉIS, de Guido Guerra, está lá registrada a história: em São Paulo, 1967, Franklin envia ao “mestre” Rodolfo o  jornal com sua matéria sobre o metrô que estava sendo construído naquela capital. Rodolfo escreve o cordel O PAULISTA VIROU TATU VIAJANDO DE METRÔ e envia  1.000 cópias para ele. E é a partir daí que começa a saga deste poeta, ator, cantor e xilogravurista, que acaba de completar 70 anos. São 40 anos de artes, de um homem sonhador que saiu da Bahia e foi para o Sul Maravilha com o cordel que para ele “é poesia, é gráfica; é canto; é artes plásticas; é música; é teatro; é jornalismo; e é comércio”. 
 Incansável batalhador pela valorização do cordel e do poeta, Maxado, recorreu a Ministro, nos anos de ditadura, para que a literatura fosse adotada pelas escolas; ao governador da Bahia, solicitando mais espaço para o cordel nos eventos literários; ao presidente Lula, reivindicando a profissionalização do poeta de cordel; e até candidatou-se anarquicamente à Presidência da República, com o apoio escrito em crônica pelo poeta mineiro, Carlos Drummond de Andrade, nos anos 1980.
Neste livro, Franklin Maxado, o Nordestino,  bota o cordel no seu verdadeiro lugar, o da universalidade, ao contrário de muitos que veem apenas o Nordeste brasileiro como o lugar de pertencimento do cordel. Franklin desfralda a bandeira da contemporaneidade do cordel, um baiano se achando em São Paulo, mostrando ao Brasil que o a Literatura de Cordel também poderia ser atual e moderna, com temas que atraíssem a atenção do público leitor mesmo após a notícia no jornal, rádio e televisão. 
Como afirma Arievaldo Viana, poeta, pesquisador cearense, criador do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula: “foi necessário que surgissem pessoas como Franklin Maxado, homem culto, com formação acadêmica, mas profundamente ligado ao universo do cordel, para que alguns disparates começassem a ser refutados de forma eficaz e contundente”.  Paulo Dantas, escritor, explica na apresentação que este livro “ensina e conduz, introduzindo os leitores na história universal do cordel, com suas origens e fins, modos e meios de comunicação”; no que é endossado, também na apresentação, pelo jornalista e poeta, Crispiniano Neto, figura de renome nacional, originário do Rio Grande do Norte, “leiam Franklin Maxado e saibam o que é Literatura de Cordel. Bom, depois, comecem a falar sobre o assunto”.

Contatos com o autor: franklinmaxado@hotmail.com  e Editora: queimabucha@gmail.com

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O CORDEL BAIANO DE CUÍCA DE SANTO AMARO NA TV


CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA AO PROGRAMA "REDE BAHIA REVISTA" DE 25/08. CONHEÇA MAIS SOBRE A VIDA DESTE GRANDE POETA SOTEROPOLITANO: JOSÉ GOMES(1907 - 1964), O TAL CUÍCA DE SANTO AMARO. ENTREVISTA COM O DIRETOR JOSIAS PIRES, PARCEIRO DE JOEL DE ALMEIDA, SOBRE O FILME QUE ENTROU EM CARTAZ NA SEXTA-FEIRA, 23/8, NO CINE IGUATEMI, UNIBANCO CASTRO ALVES E SALA DE ARTE DA UFBA. CONFIRA OS HORÁRIOS.

domingo, 11 de agosto de 2013

CORDEL BAIANO NO CINEMA



O jornal Correio da Bahia, deste domingo, 11/8, publicou matéria sobre o filme: Cuíca de Santo Amaro - O poeta mais temido da Bahia, com direção de Joel Almeida e Josias Pires.
“Cuíca de Santo Amaro (1907-1964) tinha boca de trombone. Esbravejava para quem quisesse ouvir as notícias mais quentes ou os escândalos acontecidos na cidade e colocados para debaixo do tapete. Tudo enfeitado com sua gramática torta e discurso ácido nas revistas e livrinhos de cordel que produzia e vendia na área do Comércio - ou na frente do Elevador Lacerda ou na rampa do Mercado". Para mais detalhes, clique na imagem.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

CORDEL BAIANO PARA A PRESIDENTA DILMA


O poeta e professor, Jotacê Freitas, indignado com o desrespeito à sua categoria profissional, escreveu um cordel endereçado à Presidente Dilma Rousseff. Para ler basta clicar na imagem acima.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

PROJETO DOMINGO NA PRAÇA

Mais uma vez o Projeto Domingo na Praça, da Biblioteca de Extensão da FPC, estará com sua unidade móvel realizando atividades literárias e ateliê de escrita: construindo Cordel com o cordelista Jotacê Freitas com o tema da figura do Caboclo e Cabocla, símbolos do 2 de Julho.

A estreia foi neste domingo dia 7/7, no Largo da Lapinha na Liberdade. Em seguida, Dique do Tororó, 14/7; Parque de Pituaçu, 21/7; e, Boca do Rio, 28/7. As atividades tem início às 8 horas e seguem até às 12 horas. Compareçam pra ler um livro, um jornal, uma revista e ouvir e aprender a escrever cordel.

sábado, 29 de junho de 2013

“REVOLTA SÓ POR R$ 0,20? AONDE, PAI, NUNCA!”

Assim como as manifestações que não param de acontecer em todo país, os poetas estão com as mentes atentas e colaborando com suas visões dos fatos. Sérgio Bahialista, não deixou por menos e nos apresenta o folheto “REVOLTA SÓ POR R$ 0,20? AONDE, PAI, NUNCA!”. Abaixo seguem algumas estrofes, os interessados em conhecer a obra devem escrever para:        sergiobahialista@hotmail.com
“Meu povo, eu voltei
 No cordel tão aprumado
 Pra fazer o meu papel
 E dar o meu recado
 Pois minha sina sempre foi
 Do povo tá sempre do lado

Junho de 2013
 Mês e ano que marcou
 O Movimen to do Brasil
 Contra tudo que passou
 Disse NÃO aos corruptos
 E para as ruas marchou

Eu fui um dos que lutou
 Há 10 anos fui pra frente
 Na Revolta do Buzú
 Por um transporte decente
 Não podia ficar em casa
 No Facebook sorridente”
“Se eu for listar aqui
Todas as revoltas do povo
 As do dia a dia, regionais,
 O cordel não sai do ovo
 Mas se a leitora e o leitor
 Não entender o meu clamor
 Explico tudinho de novo (depois)

Mas tudo com criticidade
 E aqui quero avaliar
 Esse Movimento e toda
 A manobra que aí está
 Quase um golpe de Estado
 Que está a manipular
O movimento é revolução?
 
Talvez um primeiro passo
 O que vi no manifesto,
 Nas ruas, saiu do compasso,
 Pois PM é truculenta
 A luta só se sustenta
 Com estratégia e arregaço.”