quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CORDEL NO CARNAVAL BAIANO 2016

Como numa profecia, João Rocha, antecipou a revolta dos ambulantes no carnaval da Bahia protestando contra a liberação de apenas uma marca de bebida alcoólica ou refrigerante durante os festejos. Esse mal afetou também a Fonte Nova e o Ceasa do rio Vermelho. Espaços públicos privatizados impedindo o cidadão de livre escolha de consumo. Eles alegam patrocínio para manutenção dos espaços ou pagamento de artistas. Leiam abaixo algumas estrofes do novo folheto desse poeta que está sempre atento às injustiças sociais:

Amigos, o Carnaval
É festa da liberdade,
E aqui em Salvador,
Falo com sinceridade,
Nunca vi proibir marca,
De cerveja, na cidade.

O transporte coletivo,
Na Capital não existe,
Quem sai de casa bem cedo
Chega no trabalho triste,
E a imprensa, comprada,
Trata tudo como chiste.

Agora vendeu de vez
Salvador para a Schin
Proibindo qualquer marca
Que não rime com Grampim;
Não convence as nega dele,
E quer convencer a mim!

No Carnaval de dez dias
Quem ganha é o aedes aegypit:
Vai ser uma epidemia,
Caro leitor, acredite,
Acho que a saúde pública
Tem de botar um limite.

A gripe, como se sabe
Já é tradicional
Todo mundo adoece
Logo após o Carnaval,
Mas agora, com a zika,
A coisa é mais anormal.

No Carnaval, bem se sabe,
Surge muita gravidez
Aí o mosquito morde,
Pois aqui ele tem vez
E se o cuidado foi pouco...
O microcéfalo se fez.

Quem irá pagar depois,
Pela vida condenada
De um ser que foi gerado
No meio da timbalada,
Devido a uma picadura
De mosquito, à madrugada?

Eu, por mim, vou à Mudança
Do Garcia, animado,
Pra juntar com As Muquiranas
Naquele agito danado,
Todo mundo de mulher,
Mas muito pouco viado.


O lançamento foi feito na Lanchonete PEDAÇO DO CÉU, no Garcia, durante o esquenta da Mudança, na segunda-feira, 8/2. Os interessados em ler o cordel completo escrevam para o poeta no seguinte endereço: jrjoaoroch@gmail.com

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

CORDEL BAIANO NO CINEMA BAIANO

 A controversa história da Guerra de Canudos, final do século XIX, no arraial fundado pelo líder místico Antonio Conselheiro, dizimado por tropas militares, ganha uma nova versão cinematográfica. Com direção de Manoel Neto, professor e coordenador do CEEC – Centro de Estudos Euclides da Cunha; fotografia de Roque Araújo; montagem de Ilo Alves; e uma performance do poeta Antonio Barreto apresentando a narrativa com versos de cordel. O filme foi lançado no último dia 17 de dezembro na Sala Walter da Silveira, nos Barris. Mais detalhes, clique abaixo:


Clique na imagem para ler o folheto.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

BIBLIOTECA INFANTIL HOMENAGEIA CORDEL BAIANO!

 A Biblioteca Infantil Monteiro Lobato realizou o 3º Encontro de Cordelistas no último domingo, 29/12, em sua sede em Nazaré. A dirigente, Rosane Rubim, iniciou os trabalhos convidando os poetas presentes para uma roda de conversa na presença de uma platéia formada por crianças, jovens e adultos. Anunciou a homenagem ao cordel por sua importância cultural e a ligação dos poetas com a instituição. A Monteiro Lobato foi a primeira biblioteca pública a montar uma cordelteca em Salvador e a inaugurou durante o 2º Encontro de Cordelistas em 2011.

 Franklin Maxado Nordestino, poeta e artista plástico, não necessitou de apresentações. Falou da sua alegria por estar entre jovens leitores e autores e ao lado de amigos de luta na manutenção da resistência do cordel baiano. A trajetória de Franklin perpassa a história da Literatura de Cordel no Brasil, de Feira de Santana ao eixo Rio-São Paulo, feiras livres e livrescas, em todo o Norte e Nordeste, América Latina e Europa; com a experiência de ter publicações lançadas na França, Japão e Portugal, Maxado é um ícone para as novas gerações. Para o encontro ele levou seu repertório atual com cerca de 50 títulos de uma obra com mais de cinco centenas de folhetos, livros e xilogravuras.
CLIQUE NA IMAGEM E ASSISTA BARRETO E RAISA CANTANDO O CORDEL EM PARIS.
 Em seguida, Elton Magalhães, também professor de literatura, exaltou a importância da leitura, da biblioteca e do cordel para a sua vida. Natural de Castro Alves, nascido no mesmo dia em que nasceu Leandro Gomes de Barros, Elton é um poeta urbano, do asfalto, que qualifica o cordel baiano no mesmo patamar da produção nacional.
Antonio Barreto é um grande incentivador destes encontros e participa de projetos junto à biblioteca. Declamou cordel, interagiu com as crianças e, como bom professor, deu uma aula estimulando a leitura e a produção literária. Expôs, junto a outros folhetos, o pitoresco APELIDOS Y APELIDOS DO POVO DE SANTA BÁRBARA e o francês L'ARRIVÉE DE PAUL ZUMTHOR AU ROYAUME DE L'INFINI uma tradução para o francês do cordel A CHEGADA DE PAUL ZUMTHOR NO REINO DO INFINITO, realizada pela franco-brasileira Raisa França Bastos. Neste cordel, Barreto, assume uma mediunidade literária e com ajuda de um anjo-guardião,  discorre sobre a experiência criativa, vida e obra de Paul Zumthor, homenageado pela Universidade Nanterre - Paris 10 no seu Centenário. Finaliza agradecendo e elogiando os pesquisadores zumthorianos.
                            
 Zuzu Oliveira, matrona do cordel, fez sua carreira em feiras e festivais de repentistas. É vice-presidente da Ordem dos Poetas de Literatura de Cordel da Bahia e lamentou a falta de mais encontros assim, para falarmos sobre cordel, nossas experiências e produções. Fez um convite para que ingressássemos na Ordem, nos organizássemos e divulgássemos unidos em feiras e eventos autônomos e afins.
A pesquisadora, Andrea, nos lembrou do projeto de lei proposto pelo IPHAN para o tombamento do cordel e do repente como Patrimônio Imaterial da Humanidade. Louvou a iniciativa da biblioteca e declarou sentir-se em casa quando está entre cordelistas, pois além de ser seu objeto de pesquisa, conseguiu criar laços de amizade com os poetas.
João Augusto chegou com a mala cheia de novidades: um novo livro sobre Anísio Teixeira, selecionado entre os 10 melhores de 2015 pelo Prêmio Jabuti; uma proposta de licença para o comércio de cordel em todas as feiras do estado através da UPB; e reafirmou sua tendência a caçar e escrever sobre lobisomens, ou melhor, lubizone, conforme registra nos cordéis O LOBISOMEM FILMADO EM SÃO GONÇALO DOS CAMPOS e O LUBIZONE QUE APARECEU EM BARROCAS.
                             
 Sempre apresentando histórias pitorescas baseadas em fatos reais, envolvendo a si mesmo e seus amigos, Pilô, poeta e músico, nos brindou com a historia NO TROTE DE KID e, após leitura, cantou à capela uma de suas novas canções com letras anexadas ao folheto.
Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim, falou do seu contato inicial com o cordel na feira, mas discorda de que atualmente este seja o lugar dele, deixou de ser popular neste sentido, acredita que o rumo do cordel passa pela escola em todos os níveis. Citou sua nova coleção Recordelizar é viver,com relançamento de folhetos de ocorridos nos últimos quinze anos e leu o folheto FUI ROUBADO E NÃO DEI QUEIXA POIS SEI QUE JEITO NÃO TEM!

 Encerrando a roda de conversa, Creusa Meira, lembrou-se dos encontros anteriores, da importância desse momento não só para os poetas mas também para o público leitor que pode ter esse contato direto com seu autor favorito. Reafirmou a importância da união da classe, citou seus poemas políticos lançados na internet e encerrou sua participação lendo um cordel infantil de José Walter Pires.
Presente também ao evento, Walkíria Freitas, artista plástica, ilustradora de cordeis e arteterapeuta, elogiou os organizadores do evento e leu um dos poemas do seu livro “Brincando de fazer poesia’.
Após tanto papo, foi a vez das crianças apresentarem sua arte em um belíssimo sarau coordenado por Edna e a participação de Adriel, Erique, Railane, Lavínia, Nívia ...  Os pequenos leitores e artistas leram e cantaram textos dos poetas presentes de forma segura e cômica.  
Da esquerda pra direita: Franklin Maxado, Antonio Barreto, Pilô, Jotacê, Elton Magalhães, Creusa Meira, Rosane Rubim,
Zuzu Oliveira e João Augusto.