sábado, 11 de outubro de 2014

UMA GOLEADA DE VERSOS, RIMAS E HISTÓRIA.

Mesmo negligenciada pelos estudos literários contemporâneos e pelo “povo” que lhe pertencia, a Literatura de Cordel encontrou um meio termo para sobreviver em pleno Século XXI. A Educação tem sido este caminho, aberto ao final do século passado, quando instituições como o MEC – Ministério de Educação e Cultura e SESC – Serviço Social do Comércio deram uma injeção de ânimo, na valorização e revitalização do “velho cordel” e divulgação e difusão do “cordel novo”. Recomendações em parâmetros curriculares para as escolas se apropriarem do cordel como ferramenta para o letramento das crianças, jovens e adultos; exposições, seminários, concursos e debates despertaram em jovens a ânsia de conhecer a arte universal de contar histórias em versos mais brasileira que existe: a Literatura de Cordel.  Lembrando também que diversos escritores “imortais” e “marginais” brasileiros experimentaram motes, rimas e métricas pelo simples prazer ou desafio de prender-se a uma forma fixa e depois libertar-se.
O Futebol, inserido em nossa cultura através dos ingleses pela ‘elite branca’ paulista, no final do Século XIX, manteve-se ascendente em termos de popularidade e prática entre nossa população até os dias atuais, mesmo tendo perdido 15 Copas, sendo duas delas em casa. O Cordel, chegado no mesmo período, trazido na bagagem pelos colonizadores portugueses, ‘elite branca’ lusitana, ao contrário, encontrou seu auge entre os anos 30 e 50 do Século XX, entrou em decadência no período da Ditadura Militar, por repressão à livre expressão, ressurgindo apenas nos Anos 90 como objeto decorativo, auxiliado pela xilogravura; suvenir para turistas encantados pela “Cultura Popular”; fonte de dados para historiadores; objeto de pesquisa e estudos acadêmicos literários e linguísticos; produto literário rentável para gráficas do Nordeste e do Sudeste; e fonte de inspiração e criação para novos escritores e escritores novos. Escritores que vislumbraram na oralidade do cordel não apenas as toadas do repente e do desafio, mas também o ritmo do coco, da embolada, do baião, do cururu, do samba-de-roda, do pagodão, do rockn’roll, do rap, do funk e outros mais; além da utilização da internet como meio de divulgação e comercialização de livros e folhetos.
E foi justamente com o Futebol, este baluarte irmão rico do Cordel, considerando os dois como pertencentes a uma “cultura” dita “popular”, que Elton Linton O. Magalhães, um baiano trintão, castro-alvense, profissional da área da Educação, professor universitário de literatura, decidiu se mostrar ao mundo através da Literatura de Cordel. Ele já havia trilhado este caminho com um folheto contando a História do Esporte Clube Bahia e lançou outros 7 abordando temas que vão da homofobia às escolas literárias.  Elton agora empenhou-se em desenvolver este épico romance, 2014: o ano da Copa no país do futebol. Dividido em 4 tomos: O País, Os Povos, As Partidas e O Escrete Brasileiro, o poeta narra a saga do nosso povo com uma visão sócio-político-futebolístico, que agrada mais que a seleção jogando em casa a Copa de 2014. As mais de 200 septilhas em esquema de rimas ‘x a x a b b a’, foram lapidadas e apuradas com primorosa dedicação de artesão preocupado em mostrar uma linha de pensamento em que crê e necessita compartilhar, inclusive nas redes sociais, embutindo ‘hastegs’ aqui e acolá em seus versos, um traço de contemporaneidade bem sacado.
O poeta, Elton Magalhães, flui sua verve em vocabulário coloquial simples e prazeroso de ler, fazendo-nos querer conhecer não só a História do Futebol no País da Copa, mas acompanhar o raciocínio de um escritor que se revela sincero nos fatos, nas crenças políticas e nas emoções, sabedor que é da importância deste esporte para nossa cultura e identidade.
Se conscientes fossem da narrativa pungente aqui exposta, talvez o desempenho, ou no mínimo, o interesse dos jogadores da Seleção Brasileira pelo esporte fosse maior que pelo mundo “fashion” de cabeleiras coloridas, arrepiadas e excessivas tatuagens corporais. Mas não culpemos o poeta por esta decepção inglória, vamos ler e divulgar esta História pra as gerações futuras.

O livro pode ser adquirido na página da editora: mondrongo.com.br

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

domingo, 21 de setembro de 2014

CORDEL NO CARURU DOS 7 POETAS

O Caruru dos 7 Poetas é um evento que celebra a poesia unida à tradição cultural e religiosa baiana. Numa analogia aos 7 meninos dos carurus de Cosme e Damião, o projeto promove o encontro de 7 poetas, das mais diversas correntes literárias, para ler, recitar, declamar, falar, cantar, dançar e até pintar seus poemas.
Em sua 10ª Edição, os organizadores, a Casa de Barro – Cultura, Arte, Educação, ONG que atua  no desenvolvimento humano e cultural do Recôncavo baiano, lançará dia 26/09, a antologia “Todas as Mãos”, em e-book, com poemas de todos os poetas que participaram do Caruru dos 7 Poetas nesta última década.

Os poetas Antonio Barreto, Gildemar Sena, Jotacê Freitas e Sérgio Bahialista participaram em edições distintas do Caruru dos 7 Poetas apresentando o Cordel Baiano e estão contemplados na antologia eletrônica “Todas as Mãos”. Maiores informações: clique na imagem.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A COPA CONTINUA NO CORDEL BAIANO

Com o folheto “A Copa das Copas ou A Copa que não teve quem não gostasse”, o poeta João Augusto, entra na polêmica sobre a Copa 2014 e nos surpreende com sua visão positiva sobre o evento e a derrota da Seleção do Brasil. Se por um lado ele cede ao partidarismo político, por outro, o da bola na rede, ele reconhece as qualidades da seleção Alemã, grande campeã da Copa 2014, e aponta as falhas do escrete nacional. Quem quiser adquirir o cordel deve entrar em contato com o imeio: jrjoaroch@gmail.com

domingo, 17 de agosto de 2014

CORDEL BAIANO NO PARQUE DE PITUAÇU


 
A caravana da Biblioteca Móvel, projeto da Biblioteca de Extensão da Fundação Pedro Calmon, esteve neste domingo no Parque de Pituaçu. Dando prosseguimento ao AGOSTO DA CULTURA POPULAR o poeta Jotacê Freitas realizou mais uma oficina de cordel com as crianças e o apoio luxuoso de Aline, Synara, Henrique e Gleide.
Abrindo espaço para crianças de todas as idades, a oficina é orientada de forma lúdica com leitura de folhetos e jogos de memória com rimas e estrofes. Aos poucos os participantes são envolvidos na história desta arte popular universal e tão brasileira.
                                     
O tema da oficina é o folclore brasileiro, o mais rico do mundo, conforme o título do mine folheto distribuído aos brincantes que leem, cantam e torcem uns pelos outros ao som de versos sobre o Saci, Curupira, Samba de Roda, Loura do Banheiro, Cuca e outros. Acima o poeta ao lado da diretora Gleide Machado com o buzu biblioteca ao fundo.