terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CORDEL BAIANO METENDO A BRONCA

Nosso amigo, João Augusto Rocha, é um dos mais combatentes poetas da atualidade. Sempre contundente em seus poemas, ele desmascara o cinismo dos nossos políticos que nos fazem de bobos da corte. Quem tiver interesse em ler mais, escreva para jrjoaoroch@gmail.com


Trechos do folheto: O RETRATO DE DORIA GRAY, 2017.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

CORDEL BAIANO NA ABLC

Fui chamado de ‘bairrista’ por só tratar de Cordel Baiano neste espaço. Antecipo os objetivos no perfil do aplicativo, não me sinto discriminado. No PEPLP-UFBa ( Programa de Estudos e Pesquisas da Literatura Popular) e posteriormente na Comissão Baiana de Folclore, ambos orientados por Doralice Alcoforado, professora e pesquisadora, aprendi que a Bahia não tem seu Cordel reconhecido na mesma proporção que a sua qualidade literária e histórica. Acredito que a canonização, tanto de homens ‘santos’ como de obras de arte, quem determina é o povo, o público, o leitor. Sociedades, agremiações, confrarias, clubes, academias, críticos e editores servem mais para fortalecimento daquela prática a qual se propõem a ‘preservar, valorizar, difundir e divulgar’. Não quero aqui meter o bedelho onde não estou sendo chamado, mas a quem caberia esta responsabilidade? Ao poeta, ao sindicato, ao governo, às bibliotecas?
Por aqui, Rodolfo Coelho Cavalcante, lutou muito nos anos 40 a 70 pela organização da classe cordelística na Bahia e no Brasil, com amigos fundou a OBPLC – Ordem Brasileira dos Poetas de Literatura de Cordel, dirigida posteriormente por Bule-Bule e Paraíba da Viola, com sede em uma barraca que virou ponto de apoio, vendas e apresentações na praça do Elevador Lacerda. A poeta Zuzu Oliveira dirige a Ordem atualmente em busca de renovação e novos apoios pois a sede foi retirada da praça pela prefeitura em 2013 e até o momento não foi substituída ou realocada.
          Visitei a ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel no Rio de Janeiro. Conheci o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da instituição; sua esposa Mena, a Madrinha dos Poetas. Adquiri uma obra prima, 100 CORDÉIS HISTÓRICOS SEGUNDO A ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL, em 2 volumes, tamanho 30x20cm, com as capas em fac-símile de todas as obras, patrocinada pela Petrobras e publicada em 2008, “destinada a preservar parte significativa da cultura brasileira” conforme Francisco da Silva Nobre; organização e curadoria do próprio Gonçalo.
Por ser este um blog escrito por um baiano com o intuito de debater a nossa produção, procurei a produção baiana na referida antologia. São 100 poemas escritos por 41 poetas de 9 estados do Norte/Nordeste. Destes, apenas um é da Bahia: “O ENCONTRO DE LAMPIÃO COM DIOGUINHO”, de Antonio Teodoro dos Santos, ‘O garimpeiro”, natural da cidade de Jaguarari. A coleção conta com a produção de 15 paraibanos, 11 pernambucanos, 3 potiguares, 2 alagoanos, 2 cearenses, 1 paraense, 1 piauiense, 1 sergipano e 4 com naturalidade desconhecida. Esta edição “é um marco histórico e indelével para a ABLC, para as letras brasileiras e para a própria latinidade”, palavras do Mestre  Gonçalo que endosso.  Ele antecipa que ‘não foi justo na visão de muitos e que foi difícil escolher apenas 100 de um rico acervo de cerca de 13 mil”.
           A equipe organizadora mostra a importância histórica e literária destes poemas nas apresentações constantes no livro. A curadoria optou por incluir apenas autores mortos “pois eles não têm outro processo para reeditar seus trabalhos”, e que nasceram entre 1848 a 1928. Organizar uma antologia não deixa ninguém felicíssimo, muito pelo contrário, a exclusão de alguém pode causar atritos artísticos e pessoais entre os envolvidos e seus interessados. Sem tartamudear, mas respeitando os critérios, senti falta de Cuíca de Santo Amaro, que se encaixaria neste recorte. O brincante pernambucano, Antonio Nóbrega, em seu texto de apresentação, lembra a figura icônica do poeta baiano nas imagens de Pierre Verger na revista O Cruzeiro como um destaque nacional.
A nossa Literatura de Cordel também tem seus ‘bestsellers’, seus cânones, seus autores consagrados, assim como todo e qualquer gênero literário com seus clássicos, pastiches, auto-ajudas, fantasias e amores. Falta-nos, para nos equipararmos à literatura oficial, uma classificação por escolas e/ou estilos; temos classificações temáticas, mas não seria difícil estabelecer paradigmas para uma taxonomia mais erudita. ‘Mas o que temos com isso?’
Eu, Gonçalo, Walkíria e Mena.
Os poetas populares seriam sempre populares ou populistas? As instituições cumprem o seu papel de estabelecimento de normas e padrões. Busco uma poesia com “sangue novo e elementos deveras salutares”, como diria o grande Antonio Vieira, de Santo Amaro da Purificação, com seu Cordel Remoçado, uma blasfêmia para uns e arte para tantos outros.
Gonçalo Ferreira, a princípio criticado pelos próprios colegas, foi vítima de diversas chacotas versadas em desafios de repentistas na conceituada Feira de São Cristovão, berço da cultura nordestina no Rio de Janeiro. Os populares não precisam de organização, consagração, conservação e motivação? Sua perseverança e persistência demonstraram que estava no caminho certo, a Academia não seria apenas um celeiro de egos, mas de preservação, divulgação e estímulo à leitura e à produção do cordel. Ele relata com satisfação as críticas que sofreu quando iniciou a campanha para a fundação do órgão, que seria melhor juntar-se com Drummond, Vinícius de Moraes, Castro Alves, Gonçalves Dias e outros clássicos, era o conselho que recebia.
         A representatividade da ABLC como entidade de classe é notável no Brasil pela adesão da maioria dos poetas em atividade. O critério para escolha dos membros é “por meio de votação em escrutínio secreto” e que 25% das cadeiras é para os não residentes no Rio. No panteão da ABLC figuram pessoas jovens e maduras, com vasta e pequena produção poética, com muita experiência de estrada e iniciantes iniciados na própria Academia. É uma variedade de estilos e temas que encantam os leitores, amantes e praticantes desta arte que vem atravessando os séculos com pecha de ‘literatura barata’, sem valor canônico, mas que tem demonstrado em estudos sua importância literária e influência nos autores considerados consagrados em toda a literatura universal.

A pesquisadora, Ana Carolina Carvalho, declarou ao O Globo em 2015, num artigo sobre o Cordel Carioca, objeto de seu estudo, “que apesar de não terem retorno financeiro, (os poetas) insistem em escrever. É como se eles se sentissem cotidianamente desafiados a versificar o mundo.” Neste mesmo artigo, do jornalista Emiliano Urbim, Moraes Moreira relembra, na ocasião de sua posse na ABLC, a influência de seu irmão Zé Walter na sua caminhada no mundo do Cordel. Moraes temia os preconceitos, foi bem aceito e visto como prestigiado divulgador do Cordel.

Das 40 cadeiras disponíveis na ABLC, Rodolfo Coelho Cavalcante é o patrono de uma delas. Atualmente 5 cadeiras são ocupadas pelos baianos Bule-Bule, Marco Haurélio, Moraes Moreira, Varneci Nascimento e Zewalter Pires. Não faço aqui campanha por minha inclusão numa cadeira,  sou do Clube do Grouxo Max e não é permitido filiação a agremiações que nos aceitem como sócios. Sugiro aqui o nome de Franklin Maxado ‘Nordestino’ à próxima vaga na ABLC pela importância e qualidade literária e gráfica das suas publicações, pois também é xilógrafo. Não sei se ele tem interesse, mas para o Cordel da Bahia seria um prestígio necessário para a difusão de nossa produção com os que lá estão.

domingo, 11 de dezembro de 2016

CORDEL BAIANO NÃO TEM IDADE

Prestes a completar 70 anos, Moraes Moreira, poeta, cantador e cantor, lançou o livro POETA NÃO TEM IDADE, pela editora Numa, na Livraria Argumento, no Leblon, em novembro.  Em breve aqui em Salvador. Após os livros “ABC de Jorge Amado” e “A História dos Novos baianos e outros versos”, que são biografias, Moraes se mostra mais diverso em suas temáticas neste novo livro.
Amante declarado do cordel, ele reúne obras tipicamente cordelísticas e enxertos de outras formas do verso popular. Os poemas se intercalam numa mistura de métricas e formas diferentes, lembrando-nos as mudanças de ritmo, típico do nosso cancioneiro, sobre o qual ele também tem domínio total, todo musical. Sua maestria é expressa na primeira parte do livro: “De cantor para cantador”, onde foge do tradicionalíssimo esquema de rimas X A X A X A,  e intrica ABCABC, ABABCCB, ABABCDCD e outros.
Atento à tradição, ciente de que “O cordel tem seu rigor / e jamais permite ultraje”,   Moraes não deixa de exaltá-la juntamente com seus representantes máximos: “Me digam, quantos Leandros / Precisamos com certeza / Pra vencer a correnteza / E excluir os malandros?” , e também criticar e propor uma postura excludente dos ‘cordelistas’ de ocasião ou de versos estropiados. Imortal vivo da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sua entrada na academia é sinal de um novo tempo. Tempo em que o ‘cordel’ volte a ser ‘considerado’ poesia e não apenas uma narrativa em versos.
Na segunda parte, “Di-verso”, a temática é lírica, e pesquei no prefácio de Júlio Diniz que trata-se de “sua incursão pela poesia canônica e popular”, onde rememora, filosofa, elogia e ama no embalo de ‘versos livres’ pentassilábicos, heptassílabos e decassílabos nas quadras, sextilhas, septilhas, oitavas, décimas e martelo alagoano numa “overdose  de poesia”.
Em ‘Nome dos nomes’, a terceira parte, mestres, amigos, parceiros e musas são acarinhados pelo poeta saudoso dos velhos tempos e feliz por prosseguir no caminho que escolhera e o acolhera.
É bastante revelador em “Família”, a quarta e última parte do livro, em que recorda e reflete as memórias da sua geração, a casa da infância, os avós, a mãe, os irmãos e os filhos. É comovente a afirmação de que é “...do tipo que chora / vendo um desenho animado”.

       Ótimo livro, não só para amantes do cordel ou do Moraes, mas para todos os leitores de poesia. Seu prestígio junto à população e aos meios de comunicação agrega mais valor ao cordel. Parabéns!

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

CORDEL BAIANO NO "MAPA DA PALAVRA"

Muitos ficaram de fora. Alguns mandaram materiais mas não cumpriram todas as etapas do processo. Outros não observaram a caixa de spam. Os consagrados mestres estão fora do mapa. Todos merecem novas edições e apêndices para os mortos imortais. Mas se quiser conhecer os indicados no mapa, clique na imagem para mais detalhes. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CORDEL BAIANO NA FLICA 2016

Os poetas Zé Walter Pires, de Brumado; Elton Magalhães, de Castro Alves; Josemário Fernandes, de Ibotirama; e Jotacê Freitas, de Senhor do Bonfim, serão os representantes do cordel baiano no Mapa da Palavra da Fundação Cultural do Estado da Bahia que acontecerá dias 14 e 15 no prédio do IPHAN. Clique na imagem para ver detalhes.